terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Perdidos no Paty!

Bom, depois de quase duas semanas sem escrever, estou aqui de volta.

Estas duas semanas foram tensas, corridas, cheias de reuniões, de planilhas para serem entregues, com a viagem do Gui, com meu computador em casa tendo quebrado, e ainda com um sono desumano que me levou a fazer até um teste de gravidez.

Lençóis realmente é muito bonito, seu Alcino (o dono da Estalagem) um cara muito legal, a estalagem me deixou com gostinho de quero mais, o restaurante com a comida maravilhosa ficou marcado; mas mal sabia eu o que ainda estava por vir...

Na noite anterior havíamos combinado com o Adilson (um Guia de Lençóis), para nos levar de carro de Lençóis até o Vale de Guiné, que é o ponto de entrada para o Vale do Paty, o que nos faria cortar um dia de caminho - se tívessemos entrado pelo Vale do Capão. A distância de Lençóis até Guiné é de aproximadamente 90 quilômetros, sendo que aproximadamente 40km são de estrada  de terra cheia de buracos e muito ruins.

O difícil não foi nem a distância que existente, e sim como chegar ao Vale do Guiné. Tínhamos a opção de ir para Palmeiras um município vizinho e de lá encontrarmos alguém para nos levar ao Guiné; porém um transporte público de Lençóis para o Vale do Guiné não existe. No final, fizemos mesmo a escolha do Adilson, que nos levou confortavelmente da porta da Estalagem até o Beco do Vale.

As cidadezinhas e Vilas de lá, me deixaram com a impressão de estar andando em um lugar em que o tempo parou. tudo era muito rústico, as casas construídas com pedras, uma sensação de estarmos em uma época de descoberta de novas técnicas de construção. O comércio são os locais  que tomam contas, são pequenas lojas de família, é tudo muito pequeno, a cidade gira em torno da praça central, onde tudo acontece. É lindo demais.

O Adilson nos deixou no Beco, um lugar lindo, porém fiquei espantada, quando olhei todo aquele rochedo na minha frente e a trilhazinha por entre as pedras que só me mostrava que eu iria subir, e subir muito. Olhei para as pedras, olhei para as trilhas, olhei minha mochila, olhei aquilo tudo deserto, somente tínhamos eu e o Gui ali; fiquei um pouco com medo de não aguentarmos, medo do Gui não aguentar com a mochila dele, medo de eu não aguentar com a minha mochila, medo de me perder, de cair, de acontecer alguma coisa, enfim, MEDOS.

Tiramos algumas fotos e começamos a subida. A subida era íngreme e a cada cinco minutos parávamos para respirar, para tirar umas fotos, para tomar água e para olhar para baixo; pois esses cinco minutos nos faziam pingar de tanto esforço, ter vistas diversas dos locais mais abaixo.

As vistas eram lindas, o som daquele lugar era lindo: somente o som dos pássaros e do vento nas folhas, e quando conversávamos, das nossas vozes.

Sabíamos que tínhamos aproximadamente 10km de caminhada para aquele dia, até chegarmos a casa de Dona Raquel, uma das pessoas nativas daquela região, que tem certa infra-estrutura capaz receber os andarilhos, dar abrigo, comida, para continuarem nos outros dias. Pela grande quantidade que ainda tínhamos que andar, resolvemos diminuir o número de paradas e acelerar o passo, pois poderíamos nos atrasar, nos perder, e se a noite chegasse, e não tívessemos chegado à casa de Dona Raquel, estaríamos perdidos num lugar desconhecido e escuro.

Ao final da rampa de pedras do Beco até o começo da trilha plana, não conseguimos diminuir as paradas, porém quando a trilha tornou-se plana, já estávamos dentro do Vale e conseguimos apertar o passo.

Não havíamos olhado muito ao mapa, tínhamos o comprado no dia anterior, porém tinham nos falado que a trilha não era difícil, porém não tinha sinalização. Ao chegarmos no Rio Preto, tivemos que atravessá-lo, entre uma pulada de pedras e outra para atravessar o Rio, eu afundei o meu pé nas águas negras.

Logo depois, dei um pequeno chilique por falta de confiança e de medo de estar perdida, e fiz o Gui parar, um pouco contrariado e chateado, e olhar o mapa. O medo que eu tinha de estar perdida, me deixava confusa e sem razão, o que causava todo o chilique que eu tinha, não era um tremendo chilique, mas eu tenho que aprender a ter calma e pensar quando estou nervosa.

Ao checarmos o mapa vermos que não estávamos perdidos, que estávamos na trilha certa, seguimos em frente. Porém no dia anterior, eu tinha tido uma informação de que em algum momento na trilha, teria uma bifurcação, e que nessa bifucarção, era para a gente ficar sempre a direita, pois a trilha não tinha setas de sinalização, o que a caracterizava como trilha, era mesmo o mato batido. Eu fiquei com isso na cabeça, e isso atrapalhou um pouco do nosso primeiro dia, pois todo o momento eu queria discutir com o Gui, que tinhamos que ir sempre a direita. Mais uma vez o MEDO de estar perdida me atrapalhando.

Finalmente chegamos na bifurcação  e enfim, seguimos o caminho da direita que eu tanto esperava. Nesse ponto, já estávamos no alto, acho que o máximo de onde chegaríamos aquele dia, víamos tudo de cima, víamos as montanhas lindas e cheias de pedras a nossa frente. Era tudo bonito demais, quando fomos para a beirada, vimos o vale lá em baixo nos esperando. Continuamos nessa trilha, com mato batido, até um momento em que o Gui achou que estávamos fugindo do caminho, andando demais, e pediu para ver o mapa novamente, vimos que tínhamos andado muito a mais, que provavelmente tínhamos perdido uma descida, isso é nos perdemos levemente.....

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Rumo à Terra Encantada...

Hoje me dedicarei a viagem que me impulsionou a fazer esse blog. Ou pelo menos ao seu início. Em  posts posteriores, pretendo voltar e contar alguns detalhes de minhas viagens já relatadas e mesmo de momentos não por menorizados que foram descritos. Tive um opinião sobre isso, e gostei, mas agora vamos ao que interessa!

Nossa última viagem, infelizmente, terminou dia 25/12/2010 em Salvador; porém o foco foi a Chapada Diamantina. O primeiro comentário que tenho a fazer será parafraseando nosso amigo Glick: IN-SA-NO!!!

Chegamos em Salvador no dia 17/12, pela noite. Logo no avião nos demos conta de que em Salvador, e na Bahia, não há horário de verão. Ficamos "presos" na cidade de Salvador, pois os ônibus para Lençóis estavam lotados, e o ônibus que partia para Mucugê estava a meia hora de partir - estávamos no aeroporto e nos informaram que do aeroporto à rodoviária, com sorte, levaríamos aproximadamente 40 minutos. Só para exclarecer, Lençóis e Mucugê são duas famosas cidades da Chapada Diamantina.

Dia 17 de Dezembro era véspera do aniversário do Gui, e lá em Salvador ficamos num hotel mais ou menos, no Bairro que chama Pituba, nesta noite e fomos para um bar por lá mesmo, para tomarmos um chopp e conversar.

No dia seguinte, aniversário do Gui, tomamos café e partimos para a Rodoviária, para o ônibus das 7h, rumo a Lençóis.

Na chegada de Lençóis, ainda na estrada, pude ver o quão lindas eram as paisagens, descendo do ônibus, me encantei com aquela cidadezinha, com ruas em paralelepípedo, as montanhas e pedras ao redor, o sossego. Porém como eu já sabia, Lençóis é uma cidade muito turística, e assim que descemos do ônibus muitos Guias tentando falar inglês, ou procurando algum turista que os tinham contratado estavam por lá. Acabamos conhecendo um rapaz (Guia também), muito simpático, porém como já dizíamos desde o começo que não queríamos Guia, ele apenas foi conversando com a Gente até a Estalagem do Alcino.

Foi o Gui que reservou nossa estadia em Lençóis, que achei maravilhosa logo de cara! O Alcino é um artista plástico, que não deixou seu dom de lado ao decorar sua Estalagem. Além é claro de oferecer uma ótima conversa e ótimas dicas, o café da manhã de lá é o melhor já tomado por mim! Adorei.

Estávamos com a idéia de alugar um carro/moto, para irmos até o Morro do Pai Inácio, mas após conversarmos com o Alcino, ele sugeriu que fossemos relaxar e conhecer as águas da cidade; ficando o Morro do Pai Inácio para conhecermos numa próxima visita à Chapada. Fomos até o Ribeirão do Meio, uma caminhada bem leve, de mais ou menos uns 40 minutos, indo em ritmo devagar, com direito a um açaí no meio do caminho. Chegando, demos de cara com o lindo tobogã de pedras. Adorei, e consegui escorregar um pouquinho, pois fiquei com medo de escorregar tudo.

Voltando à Estalagem fui checar meus e-mails, para ver onde tinha Guardado o Restaurante que mais tinha gostado, ele se chamava Sabor e Arte; mas mesmo assim resolvi ouvir a recomendação do Alcino, e adivinhem?! Ele me recomendou o Sabor e Arte, e lá fomos nós, o restaurante é do tipo Slow Food, que nos proporcionou um maravilhoso jantar, com uma sobremesa deslumbrante.

E assim acabou nosso primeiro dia nesta Magnífica Terra!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mudança de vida!

No início de 2009, nos mudamos para o Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro; desde então nossa qualidade de vida melhorou muito e vivemos momentos maravilhosos. Dias inteiros de praia em frente de casa, passeios ao Cristo, ao Pão de Açúcar, idas à casa do Pi e da Maria Carolina, conhecendo aos pouquinhos a Cidade Maravilhosa.
Em Setembro de 2009, fizemos a primeira das nossas viagens apaixonantes: fomos para o Chile, melhor, para a Patagônia Chilena. Acho que até hoje é o lugar mais lindo que já vi, são paisagens impressionantes, ventos muito fortes, neve e gelo por todo o lado, com caminhadas longas, porém recompensantes. Esta foi nossa primeira viagem com longas trilhas, e de cara nos apaixonamos.
Conhecemos o parque Torres Del Paine, onde andamos dois dias em busca de lugares maravilhosos, algumas vezes de difícil acesso, mas encontramos todos. Fomos ao Glaciar Perito Moreno, na Patagônia Argentina, onde vimos a impressionante formação do gelo nesses locais.
No Carnaval de 2010, fizemos uma trilha curta para a praia do Perigoso, que sai da Barra de Guaratiba, bem perto de casa. Embora uma trilha fácil, nos levou a um lugar maravilhoso, bem do lado de casa. Onde nadamos muito, tentamos mergulhar e eu acabei com meu pé devido ao tênis não apropriado para as trilhas. A lição: por mais que a trilha seja pequena, se é trilha, tem subidas e descidas, então sempre levarei minha botinha de trilha, por mais ridícula que eu fique de vestido e bota de trilha.
Em Abril, fomos para Penedo/Itatiaia, onde ficamos caminhando e trilhando pelo Parque Nacional de Itatiaia, subimos ao cume das Prateleiras, na parte alta do Parque, que para mim foi o mais difícil, devido à necessidade de aderência às pedras nas subidas, o que me forçou a vencer meu medo de pedras e de altura. O que foi perfeito, estar acima das nuvens olhando o Vale do Paraíba de cima. Acho que eu não teria enfrentado tantos desafios se não fosse por nosso Guia: o Levy, que teve muita paciência comigo e me incentivou muito e explicou  algumas vezes que se eu já tinha chegado até ali, porque eu iria empacar na pedra e deixar de subir e ver o visual maravilhoso que estava por vir.
No feriado de 15/11/2010, decidimos, de última hora, ir para Ilha Grande. Chegamos lá na sexta feira a noite, e fomos direto para a pousada: Pedacinho do Céu, um lugarzinho tranquilo, em que fugimos do barulho da Vila de Abraão. No sábado, infelizmente amanheceu meio chuvoso, o que atrasou nossa ida à Lopes Mendes, porém decidimos que se já estávamos lá, deveríamos mesmo ir. Chegando na Praia de Lopes Mendes, caiu a chuva, o que desanimou a vontade de nadar e nos fez comer para pegar o caminho de volta (dessa vez com uma pequena embarcação até o Abraão). No segundo dia fomos à Lagoa Azul, pudemos fazer flutuação e eu conheci um pouco da vida marinha dali (foi minha primeira experiência com snorkel e máscara), linda demais, porém um passeio terrível até chegarmos lá, pois nossa escuna estava lotada, e não tínhamos lugar nem para sentar. Além, é claro, de pessoas fumando na embarcação, o que é proibido. Porém conhecemos a tão famosa Lagoa Azul.
No último dia de passeio fomos para Dois Rios, uma praia duas horas e meia distante de Abraão, em que na chegada passamos pela Piscina dos Soldados, pela vila do Antigo Presídio, onde vimos casas destruídas pela falta de habitação (algumas a apenas 10 anos desabitadas e completamente destruídas, invadidas por árvores e mato), e pelo Presídio, hoje desativado e implodido. As ruínas são lindas, a praia é linda, e os rios que dão o nome para a praia são muito bonitos também.
Uma viagem que valeu a pena e que nos deixou com gostinho de quero mais....