Bom, depois de quase duas semanas sem escrever, estou aqui de volta.
Estas duas semanas foram tensas, corridas, cheias de reuniões, de planilhas para serem entregues, com a viagem do Gui, com meu computador em casa tendo quebrado, e ainda com um sono desumano que me levou a fazer até um teste de gravidez.
Lençóis realmente é muito bonito, seu Alcino (o dono da Estalagem) um cara muito legal, a estalagem me deixou com gostinho de quero mais, o restaurante com a comida maravilhosa ficou marcado; mas mal sabia eu o que ainda estava por vir...
Na noite anterior havíamos combinado com o Adilson (um Guia de Lençóis), para nos levar de carro de Lençóis até o Vale de Guiné, que é o ponto de entrada para o Vale do Paty, o que nos faria cortar um dia de caminho - se tívessemos entrado pelo Vale do Capão. A distância de Lençóis até Guiné é de aproximadamente 90 quilômetros, sendo que aproximadamente 40km são de estrada de terra cheia de buracos e muito ruins.
O difícil não foi nem a distância que existente, e sim como chegar ao Vale do Guiné. Tínhamos a opção de ir para Palmeiras um município vizinho e de lá encontrarmos alguém para nos levar ao Guiné; porém um transporte público de Lençóis para o Vale do Guiné não existe. No final, fizemos mesmo a escolha do Adilson, que nos levou confortavelmente da porta da Estalagem até o Beco do Vale.
As cidadezinhas e Vilas de lá, me deixaram com a impressão de estar andando em um lugar em que o tempo parou. tudo era muito rústico, as casas construídas com pedras, uma sensação de estarmos em uma época de descoberta de novas técnicas de construção. O comércio são os locais que tomam contas, são pequenas lojas de família, é tudo muito pequeno, a cidade gira em torno da praça central, onde tudo acontece. É lindo demais.
O Adilson nos deixou no Beco, um lugar lindo, porém fiquei espantada, quando olhei todo aquele rochedo na minha frente e a trilhazinha por entre as pedras que só me mostrava que eu iria subir, e subir muito. Olhei para as pedras, olhei para as trilhas, olhei minha mochila, olhei aquilo tudo deserto, somente tínhamos eu e o Gui ali; fiquei um pouco com medo de não aguentarmos, medo do Gui não aguentar com a mochila dele, medo de eu não aguentar com a minha mochila, medo de me perder, de cair, de acontecer alguma coisa, enfim, MEDOS.
Tiramos algumas fotos e começamos a subida. A subida era íngreme e a cada cinco minutos parávamos para respirar, para tirar umas fotos, para tomar água e para olhar para baixo; pois esses cinco minutos nos faziam pingar de tanto esforço, ter vistas diversas dos locais mais abaixo.
As vistas eram lindas, o som daquele lugar era lindo: somente o som dos pássaros e do vento nas folhas, e quando conversávamos, das nossas vozes.
Sabíamos que tínhamos aproximadamente 10km de caminhada para aquele dia, até chegarmos a casa de Dona Raquel, uma das pessoas nativas daquela região, que tem certa infra-estrutura capaz receber os andarilhos, dar abrigo, comida, para continuarem nos outros dias. Pela grande quantidade que ainda tínhamos que andar, resolvemos diminuir o número de paradas e acelerar o passo, pois poderíamos nos atrasar, nos perder, e se a noite chegasse, e não tívessemos chegado à casa de Dona Raquel, estaríamos perdidos num lugar desconhecido e escuro.
Ao final da rampa de pedras do Beco até o começo da trilha plana, não conseguimos diminuir as paradas, porém quando a trilha tornou-se plana, já estávamos dentro do Vale e conseguimos apertar o passo.
Não havíamos olhado muito ao mapa, tínhamos o comprado no dia anterior, porém tinham nos falado que a trilha não era difícil, porém não tinha sinalização. Ao chegarmos no Rio Preto, tivemos que atravessá-lo, entre uma pulada de pedras e outra para atravessar o Rio, eu afundei o meu pé nas águas negras.
Logo depois, dei um pequeno chilique por falta de confiança e de medo de estar perdida, e fiz o Gui parar, um pouco contrariado e chateado, e olhar o mapa. O medo que eu tinha de estar perdida, me deixava confusa e sem razão, o que causava todo o chilique que eu tinha, não era um tremendo chilique, mas eu tenho que aprender a ter calma e pensar quando estou nervosa.
Ao checarmos o mapa vermos que não estávamos perdidos, que estávamos na trilha certa, seguimos em frente. Porém no dia anterior, eu tinha tido uma informação de que em algum momento na trilha, teria uma bifurcação, e que nessa bifucarção, era para a gente ficar sempre a direita, pois a trilha não tinha setas de sinalização, o que a caracterizava como trilha, era mesmo o mato batido. Eu fiquei com isso na cabeça, e isso atrapalhou um pouco do nosso primeiro dia, pois todo o momento eu queria discutir com o Gui, que tinhamos que ir sempre a direita. Mais uma vez o MEDO de estar perdida me atrapalhando.
Finalmente chegamos na bifurcação e enfim, seguimos o caminho da direita que eu tanto esperava. Nesse ponto, já estávamos no alto, acho que o máximo de onde chegaríamos aquele dia, víamos tudo de cima, víamos as montanhas lindas e cheias de pedras a nossa frente. Era tudo bonito demais, quando fomos para a beirada, vimos o vale lá em baixo nos esperando. Continuamos nessa trilha, com mato batido, até um momento em que o Gui achou que estávamos fugindo do caminho, andando demais, e pediu para ver o mapa novamente, vimos que tínhamos andado muito a mais, que provavelmente tínhamos perdido uma descida, isso é nos perdemos levemente.....
Estas duas semanas foram tensas, corridas, cheias de reuniões, de planilhas para serem entregues, com a viagem do Gui, com meu computador em casa tendo quebrado, e ainda com um sono desumano que me levou a fazer até um teste de gravidez.
Lençóis realmente é muito bonito, seu Alcino (o dono da Estalagem) um cara muito legal, a estalagem me deixou com gostinho de quero mais, o restaurante com a comida maravilhosa ficou marcado; mas mal sabia eu o que ainda estava por vir...
Na noite anterior havíamos combinado com o Adilson (um Guia de Lençóis), para nos levar de carro de Lençóis até o Vale de Guiné, que é o ponto de entrada para o Vale do Paty, o que nos faria cortar um dia de caminho - se tívessemos entrado pelo Vale do Capão. A distância de Lençóis até Guiné é de aproximadamente 90 quilômetros, sendo que aproximadamente 40km são de estrada de terra cheia de buracos e muito ruins.
O difícil não foi nem a distância que existente, e sim como chegar ao Vale do Guiné. Tínhamos a opção de ir para Palmeiras um município vizinho e de lá encontrarmos alguém para nos levar ao Guiné; porém um transporte público de Lençóis para o Vale do Guiné não existe. No final, fizemos mesmo a escolha do Adilson, que nos levou confortavelmente da porta da Estalagem até o Beco do Vale.
As cidadezinhas e Vilas de lá, me deixaram com a impressão de estar andando em um lugar em que o tempo parou. tudo era muito rústico, as casas construídas com pedras, uma sensação de estarmos em uma época de descoberta de novas técnicas de construção. O comércio são os locais que tomam contas, são pequenas lojas de família, é tudo muito pequeno, a cidade gira em torno da praça central, onde tudo acontece. É lindo demais.
O Adilson nos deixou no Beco, um lugar lindo, porém fiquei espantada, quando olhei todo aquele rochedo na minha frente e a trilhazinha por entre as pedras que só me mostrava que eu iria subir, e subir muito. Olhei para as pedras, olhei para as trilhas, olhei minha mochila, olhei aquilo tudo deserto, somente tínhamos eu e o Gui ali; fiquei um pouco com medo de não aguentarmos, medo do Gui não aguentar com a mochila dele, medo de eu não aguentar com a minha mochila, medo de me perder, de cair, de acontecer alguma coisa, enfim, MEDOS.
Tiramos algumas fotos e começamos a subida. A subida era íngreme e a cada cinco minutos parávamos para respirar, para tirar umas fotos, para tomar água e para olhar para baixo; pois esses cinco minutos nos faziam pingar de tanto esforço, ter vistas diversas dos locais mais abaixo.
As vistas eram lindas, o som daquele lugar era lindo: somente o som dos pássaros e do vento nas folhas, e quando conversávamos, das nossas vozes.
Sabíamos que tínhamos aproximadamente 10km de caminhada para aquele dia, até chegarmos a casa de Dona Raquel, uma das pessoas nativas daquela região, que tem certa infra-estrutura capaz receber os andarilhos, dar abrigo, comida, para continuarem nos outros dias. Pela grande quantidade que ainda tínhamos que andar, resolvemos diminuir o número de paradas e acelerar o passo, pois poderíamos nos atrasar, nos perder, e se a noite chegasse, e não tívessemos chegado à casa de Dona Raquel, estaríamos perdidos num lugar desconhecido e escuro.
Ao final da rampa de pedras do Beco até o começo da trilha plana, não conseguimos diminuir as paradas, porém quando a trilha tornou-se plana, já estávamos dentro do Vale e conseguimos apertar o passo.
Não havíamos olhado muito ao mapa, tínhamos o comprado no dia anterior, porém tinham nos falado que a trilha não era difícil, porém não tinha sinalização. Ao chegarmos no Rio Preto, tivemos que atravessá-lo, entre uma pulada de pedras e outra para atravessar o Rio, eu afundei o meu pé nas águas negras.
Logo depois, dei um pequeno chilique por falta de confiança e de medo de estar perdida, e fiz o Gui parar, um pouco contrariado e chateado, e olhar o mapa. O medo que eu tinha de estar perdida, me deixava confusa e sem razão, o que causava todo o chilique que eu tinha, não era um tremendo chilique, mas eu tenho que aprender a ter calma e pensar quando estou nervosa.
Ao checarmos o mapa vermos que não estávamos perdidos, que estávamos na trilha certa, seguimos em frente. Porém no dia anterior, eu tinha tido uma informação de que em algum momento na trilha, teria uma bifurcação, e que nessa bifucarção, era para a gente ficar sempre a direita, pois a trilha não tinha setas de sinalização, o que a caracterizava como trilha, era mesmo o mato batido. Eu fiquei com isso na cabeça, e isso atrapalhou um pouco do nosso primeiro dia, pois todo o momento eu queria discutir com o Gui, que tinhamos que ir sempre a direita. Mais uma vez o MEDO de estar perdida me atrapalhando.
Finalmente chegamos na bifurcação e enfim, seguimos o caminho da direita que eu tanto esperava. Nesse ponto, já estávamos no alto, acho que o máximo de onde chegaríamos aquele dia, víamos tudo de cima, víamos as montanhas lindas e cheias de pedras a nossa frente. Era tudo bonito demais, quando fomos para a beirada, vimos o vale lá em baixo nos esperando. Continuamos nessa trilha, com mato batido, até um momento em que o Gui achou que estávamos fugindo do caminho, andando demais, e pediu para ver o mapa novamente, vimos que tínhamos andado muito a mais, que provavelmente tínhamos perdido uma descida, isso é nos perdemos levemente.....