quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma questão de educação.


Acredito que um dos maiores motivos que levam um país ao desenvolvimento, e o mantém neste estado, é a educação. Em um país onde a população não tem educação, é mais difícil de estruturar muitos pontos críticos que o fazem funcionar melhor, como por exemplo, o respeito no trânsito, nas filas e às pessoas de uma forma geral; a capacidade crítica aos maus governos e governantes. Dentre muitos outros pontos, estes exemplos também são capazes de manter um país em melhores condições para se viver.

No Brasil, não é novidade para ninguém que a Educação está muito aquém do ideal. Assim como, por um lado, os problemas se agravam pela falta de respeito e educação da população, por outro lado, os problemas, já existentes, se mantém, pela falta de iniciativa e conformismo da maioria da população; a qual não recebeu uma educação de qualidade, e tampouco tem a noção do que é direito de cada um. Com as “armas” deixadas pelo legado do conhecer, as pessoas poderiam reivindicar os direitos que têm, saber seus deveres (e cumprí-los, quem sabe) e entender um pouco dos problemas do país.

Aqui na Argentina, as pessoas no transito não são mais respeitosas com os pedestres do que no Brasil (pelo contrário), nem as pessoas no metro são mais educadas do que as do Brasil, a não ceder seus acentos aos idosos, gestantes e deficientes; ao acotovelar as pessoas em horários de pico (acho que estas são de igual para igual); prevalece aqui, como no Brasil, a lei do mais forte e do mais rápido.

Porém, aqui acontecem algumas coisas que fica claro o quanto a Educação faz diferença. (Um parêntese somente para lembrar que na Argentina o modelo de educação pública básica, obrigatória e gratuita, ainda é bem conceituada internacionalmente, e antiga - Lei 1420, que foi criada em 1882). Mesmo agora, com toda a crise que o país vem passando (os problemas financeiros aqui estão em alta: a inflação foi registrada aproximadamente entre 10% e 30% anual em 2010, com números oficiais - dados do governo* - e privados - dados de economistas argentinos publicados na internet**, respectivamente) , pelo que tenho observado aqui, as crianças estão sendo alfabetizadas. O número real de adultos não alfabetizados é muito pequeno, isto é, a maioria da população daqui sabe ler e escrever.

Nos vejo como um país muito lindo, em que o povo é muito feliz e bonito, a música popular brasileira é muito boa; porém, também vejo um povo muito acomodado (as falcatruas no governo acontecem praticamente às claras; a corrupção em muitos órgãos públicos, também); todos sabemos e temos acesso às notícias; porém, mesmo assim, não se faz nada para melhorar, as coisas continuam no mesmo rítmo. Muitas vezes nos esquecemos de tudo o que se passou, e através das urnas elegemos os políticos corruptos novamente.

Diante deste comparativo traçado, uma das coisas que tenho pensado, é que, este perfil em que se encontra o povo brasileiro, existe, em sua maioria, pelos simples motivos do desconhecimento, ignorância, comodidade, falta de práticas para se lutar pelo melhor ao país, falta de cultura para isso.

Algumas vezes, infelizmente, penso o pior, que este o comodismo pode existir por conta do egoísmo e da ganância,. Se pararmos e pensarmos, teremos exemplos claros, quando nos lembramos das pessoas que se escondem dentro de suas casas e do seu poder economico (com seus carros blindados, seguranças particulares, casas cheias de grades e em condomínios fechados, compra de privilégios), enquanto as pessoas não tão ricas (veja, não precisam nem ser pobres), passam aperto para manter sua segurança, sua saúde, a educação dos filhos e manter seus direitos assegurados.

Aqui na Argentina, por outro lado, se a população está descontente com algo, as pessoas vão as ruas protestar, fazem piquetes, batem panelas, picham muros, manifestam-se, lutam pelo que acreditam ser direito delas. O que tenho observado aqui, é que a maioria da população entende o que se passa com a política do país, conhece a história do país, sabe dizer o por que os fatos estão acontecendo.

Mais uma vez, se fizermos um paralelo no Brasil, nos últimos anos, podemos constatar que o país melhorou muito economicamente, “está crescendo”, ou contrário da Argentina, que está em crise. Porém, mesmo o país melhorando, tendo dinheiro e sua população, consequentemente estar com o poder aquisitivo maior; é insuficiente para que um país prospere culturalmente. A impressão que tenho é que vão aparecer cada vez mais novos ricos, talvez, mal formados, cujos desejos são apenas tornar-se mais e mais ricos, esquecendo-se do restante da população do país que vivem.

Bom minha gente, eu comparei o Brasil com a Argentina, que é onde estou vivendo agora, e tenho observado um pouco os costumes na vida da população aqui. O Brasil é um país lindo, cheio de belezas naturais maravilhosas, riquezas e pessoas maravilhosas; devemos analisar mais o que acontece e lutar pelo que temos direito, ser conscientes nos nossos votos, lutar por uma educação melhor - não só para os nossos filhos e netos, como para todas as pessoas que habitam este país. Tudo isto, para que se torne um lugar mais justo, onde a lei do malandro não mais prevaleça, para que tenhamos menos impunidade, para que não seja mais preciso nos esconder e a nossos filhos atrás de muros de condomínios, casas com grades e alarmes de segurança, além de pagar absurdos em impostos e ainda assim termos que pagar outros absurdos em escolas e planos de saúde.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Desabafo...


Desde segunda de noite, eu e o Gui temos andado nos estranhando e discutindo muito; sobre coisas que precisam ser melhoradas no nosso relacionamento e em nós mesmos. Esta situação já é ruim quando você está no seu país, em que você acorda no outro dia e vai ao seu trabalho e ele ao dele, vemos amigos ou pessoas que temos afinidade nos distraímos, e conseguimos pensar nos motivos de discórdia com mais calma, e voltar para casa um pouco mais renovados. Porém, esta situação é péssima quando se está em outro país, não tem seus amigos por perto e tampouco você ou ele saem para trabalhar e ver outras pessoas de quem gostem ou tenham afinidade e se distraiam. As coisas se passam como uma bola de neve...

Hoje, pela manhã, conversamos um pouco, estávamos melhor; e então decidi ir à aula de Espanhol. Saí, meio que sem querer ir, pensando em voltar; mas fui, me obriguei a ir. Entrei no metro, e coloquei meus fones de ouvido e fui escutando um pouco das aulas de espanhol, que eu tinha ali no celular. Ao chegar na estação final, ajudei uma velhinha a subir as escadas, conversei um pouco com ela, e continuava a ouvir o som das aulas que vinham do meu celular.

Só que eu deixava o meu celular atrás da mochila, em um lugar que eu sempre soube não ser muito seguro; que hoje mesmo pensei em mudá-lo de lugar. Porém não o fiz. De repente, quando estava atravessando a Rua San Martin, em frente a Plaza de Mayo, com muito movimento nas ruas, parei de ouvir as aulas. Demorei alguns segundos para verificar na bolsa da minha mochila o que tinha se passado, e quando fui verificar, minha mochila estava aberta e meu celular não estava mais lá: FUI ROUBADA. Demorei mais algum tempo para realmente entender o que se passava, olhei ao redor e as pessoas estavam normais, eu já não sabia mais se realmente tinha acabado de acontecer; meio que perdi a noção de tempo espaço e me dei conta que estava parada no meio da rua, pronta para ser atropelada. Não sei se alguém viu o que se passou, olhava para as pessoas e não aparentavam estranheza, eu estava muito confusa, não gritei, não tive reação, algumas lágrimas saíram dos meus olhos, porém fazia força para pensar o que tinha que fazer naquela hora.

Consegui acabar de atravessar a rua, olhei mais uma vez ao redor, e nada. Resolvi vir embora para casa, tentar encontrar o celular (tinha instalado nele um dispositivo anti-furto), contar para o Gui o que se passou e trocar todas as minhas senhas. Quando cheguei em casa, todo o meu auto-controle foi pro brejo, acho que todos os sentimentos que venho guardando nesta semana se juntaram e comecei a chorar muito e espernear, como criança. O Gui, tentou me abraçar e eu não deixei. Até que consegui me acalmar um pouco e fomos atrás do celular. Para meu maior desespero, o programa anti-furto, estava instalado, mas não configurado (não sei se ia adiantar tê-lo configurado, mas seria menos uma cagada minha no dia).

Agora estou com raiva de mim, que deixou o celular onde eu sabia que não era seguro, que não gritei quando percebi que o celular tinha sido roubado (aqui no metro, presenciei pessoas ajudando umas as outras em caso de roubo e talvez, quem sabe, isso pudesse ter me ajudado), que fui a aula quando não queria ir, que não verifiquei se o programa estava em ordem. Estou com raiva da pessoa que me roubou o celular e que vai vender por uma micharia. Raiva das pessoas que, se viram, não fizeram nada para me ajudar. Raiva da desigualdade social que existe no mundo todo. Raiva do ser humano. Raiva! E, tristeza.

Sei que não adianta ficar assim, nem ficar lamentando, afinal: “era só um celular” e não vai me fazer tanta falta e muito menos vou morrer por isso. Mas a sensação de ter algo tomado de você é terrível. Não adianta que eu, nem que as pessoas fiquem me perguntando: “mas se sabia que era inseguro porque deixou o celular lá?”. A resposta é simples: “porque deixei, oras; já fui roubada e agora ficam algumas lições, que acredito que eu já sabia, porém ignorava. Ou queria poder las ignorar”. Infelizmente batedores de carteira existem no mundo todo, desde os tempos mais antigos; já escrevia sobre os pequenos batedores de carteira Charles Dickens em Oliver Twist, que fora publicado em 1838.

Queria poder mudar o mundo, melhorar algumas situações difíceis de vida - como a falta de empregos e desigualdade sociais, pobreza em que as pessoas vivem. Mas sei que é totalmente impossível! Enquanto isso, posso só comprometer-me a melhorar a mim mesma e o que há ao meu redor e está ao meu alcance.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

La noche de los museos


Sábado tivemos uma noite muito interessante aqui em Buenos Aires, fomos a alguns espetáculos em La noche de los museos (A noite dos museus). A noite dos museus acontece todos os anos da seguinte forma: a partir das 20:00 os museus, pontos turísticos e centros culturais da cidade ficam abertos para a visitação, com atividades e espetáculos montados especialmente para esta data. Este ano, algumas linhas de ônibus ficaram operando gratuitamente para os seguidores do evento, desde que os usuários do transporte estivessem portando um ticket fornecido nos locais visitados. Para podermos comparar, tem a mesma cara da Virada Cultural em São Paulo (a única que eu conheço no Brasil).

O primeiro espetáculo que escolhemos, foi o Tango en la terraza, no Museo Roca - Instituto de Investigaciones Históricas. Foi uma apresentação de bailarinos de tango e, em seguida, uma milonga (é como um baile de tango, não só para os profissionais no assunto). Estávamos atrasados, porém, chegamos em tempo de assistir um pouco de uma dupla apresentando-se. Desde que cheguei aqui, ainda não fui a um lugar para assistir tango - estou me devendo isso, mas pelo pouco que vi, achei os dançarinos muito bons. Algo me chamou a atenção nesta apresentação, foi a velocidade dos passos,  um tango bem lento e não tão agarrado e forte como os que tinha visto antes, pareceu-me mais elegante. Na milonga, assisti a muitos casais de mais idade se divertindo com a dança.

Saímos de lá com o guia do evento todo e alguns tickets da condução gratuita. Fomos direto para a Faculdad de Derecho y Ciencias Sociales, o segundo ponto escolhido. Estávamos atravessando a Avenida, em direção às escadas em que seriam  as duas apresentações escolhidas, às 21:00 em ponto, quando começou um som estrondoso; era o primeiro espetáculo programado para aquela noite, o grupo Bomba de Tiempo. Assim como começou, foi uma apresentação fantástica, de meia hora de duração, com todos os músicos muito bem coordenados nos instrumentos de percussão. Aproveitei o show e dancei bastante ao som dos rapazes, que achei, realmente, muito bom.

Logo em seguida, começou um espetáculo cheio de luzes e música eletrônica. Com projeções maravilhosas nas paredes e nas pilastras da Faculdade; a impressão que nos dava, eram panos que cobriam, descobriam e, giravam para um lado e para o outro aquelas pilastras enormes que ficam na porta de entrada do prédio. O jogo de luzes e sombras, acompanhado da música, foram os precursores para a entrada de um grupo de dança Brenda Angiel. A dança começou promissora na escadaria, um grupo de 10 ou 12 dançarinos começaram a apresentação com um tipo de dança contemporânea de rua; todo este antecedente nos levou a imaginar algo grande, agitado, acrobático ou mesmo com passes muito bem elaborados e definidos. E assistindo o a atuação do grupo, lá estávamos nós, esperando pelo “de repente isso vai mudar”, mas até o final da apresentação ficamos esperando, esperando o que não aconteceu. Enfim, os dançarinos deixaram o “palco” e a apresentação se encerrou com mais uma projeção maravilhosa, que nos trazia a ilusão de que o mar estivesse invadindo as escadarias. Foi um espetáculo muito bonito de luzes, sombras, música, porém a dança em si, deixou um pouco a desejar e foi meio cansativa.

Nos agilizamos em busca do próximo espetáculo, mas primeiro fomos tentar comprar empanadas. Disse tentar, porque não conseguimos, o caixa do lugar não tinha troco para $ 100,00, e nos pediu indelicadamente, que nós, os clientes, fossemos trocar o dinheiro para podermos comprar as empanadas dele. Na mesma hora, cancelamos o pedido e fomos pegar um ônibus para o próximo evento, que seria no bairro La Boca.

O primeiro ônibus que passou e aceitava o ticket do evento não parou, porque estava muito cheio, e assim foram mais dois ou três. Quando, finalmente, um que não estava tão cheio, pertencia aos ônibus que aceitavam os tais tickets; o motorista não quis aceitá-los, ele logo nos disse que o ticket que tínhamos não era aceito e que tinha que ser um outro. Estávamos descendo do ônibus, quando chegaram mais umas 7 pessoas com o mesmo ticket que o nosso; observamos e vimos que o mesmo se passou com eles, mas, eles começaram a discutir com o motorista e questioná-lo, dizendo que ele tinha que aceitar aquele papel. Conversa vai, conversa vem, foram feitas ligações para a empresa de ônibus, algumas pessoas começaram a descer do ônibus; e nós, enquanto esperávamos o próximo, também estávamos lá, prontos para ver o que aconteceria, se entraríamos ou não naquele ônibus. Enfim, o motorista fechou a porta do ônibus na nossa cara, colocou no letreiro do ônibus com o status fora de serviço e se mandou com o ônibus e as pessoas lá dentro. Juro que queria saber o que aconteceu...

No próximo ônibus que pegamos, somente mostramos o ticket e pronto (não tivemos nem que entregá-lo), até que enfim, nós estávamos rumo ao próximo espetáculo e ao La Boca a noite - na primeira vez que estive em Buenos Aires, o La Boca não me pareceu lá muito amigo de dia, imaginava como seria a noite. Descemos do ônibus cinco minutos atrasados para o início do evento, que já havia começado (pelo visto, aqui as coisas começam no horário, embora eu já tenha ouvido ao contrário de pessoas residentes a mais tempo); o som estava muito alto, todavia, bom; a iluminação estava linda, porém o foco daquela apresentação (Lluvia de arañas en el Riachuelo), em si, apesar de bonito, não me pareceu maravilhoso e esplendoroso, como havíamos lido nas críticas.

Já que estávamos ali no Bairro, fomos dar uma volta pelos outros museus. Gostei, porque passamos pelo Caminito, como sempre estava cheio. Vimos também a apresentação de um grupo que se apresenta no Carnaval, muito legal ver o jeito que eles dançam - enquanto nós sambamos mais no pé; o samba, o “remelexo” deles é nos ombros, com pisadas pesadas e marcando os passos no asfalto. E, compramos umas empanadas na padaria ali mesmo (algumas muitas horas depois).

Na volta, fomos para a fila do ônibus, que deu certo trabalho. Era meio bagunçado, as pessoas passavam pelo nosso lado e entravam no ônibus normalmente, sem ninguém reclamar que estavam furando fila. Daí, descobrimos que as pessoas que estavam na fila estavam esperando pelo próximo ônibus, em que conseguiriam sentar, por isso, não estavam brigando com os que passavam na frente pela lateral. Fomos em busca do nosso lugar em pé mesmo e adivinhem?! Mais uma vez a porta do ônibus fechou na nossa cara.
O segundo ônibus, pegou muito pouca gente, portanto, não entramos. Eu queria ir para o final da fila, o que não era justo com a gente porque já estávamos ali a um tempão, mas, ao mesmo tempo, não achava nada certo ficarmos ali na frente esperando o começo da “invasão”. Então, eu fui, e o Gui foi também. Chegou um terceiro ônibus, entramos, mas também em pé e muito amassados. Em algum momento o caminho, lemos o itinerário do ônibus na parede, e vimos que ele não passava pelo sentido oposto do mesmo ponto que tínhamos pego ele na ida - muito estranho não?! Após uma conversa rápida, convenci o Gui a descer antes e pegar outro ônibus que passasse mais perto de nossa casa. O Gui tinha dor nas costas, estava cansado, e queria ir embora rápido; eu também estava cansada. Mas o “outro” ônibus não passava...

Resolvemos ir andando em direção a San Telmo. O Bairro estava lindo, cheio de bares e Museus e Centro Culturais abertos. De San Telmo, fomos até a Plaza de Mayo, para então pegar um taxi. Lá, vimos o Caballito e a Catedral “acordados” às 3:00 da madrugada, estava lindo. Mas, começamos a nos empenhar em pegar um táxi, que foi mais uma loucura, porque todos estavam cheios, as pessoas passavam na nossa frente  na calçada, para pegar o táxi na nossa frente, sem se preocupar conosco (ou qualquer que fosse o outro). Enfim, pegamos o táxi de volta para casa, eu estava cansada, mas feliz. Por ter andado de novo por lugares que muito tinha gostado na cidade, ver que são lindos a noite, e que quiçá, ainda conseguimos andar por eles em dias normais sem eventos e de noite.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O encantado fim da terra encantada




O sol se pôs no mirante, uma vista linda! Pronto, agora estávamos prontos para voltar. No caminho de volta, paramos na cidade de Ibiocara, onde deixamos o Guia. E depois seguimos o caminho de volta à Mucugê. 



Estávamos com muita fome, pois não tínhamos almoçado, somente tínhamos comido os lanchinhos que havíamos levado na trilha. Além da fome que sentíamos, estávamos com muita vontade de jantar uma boa refeição, completa e típicamente caseira. Durante o caminho de volta, nossas atenções estavam voltadas para resolver esta questão: encontrar um restaurante que além de saciar nossa fome, saciasse nossa vontade de comer uma boa comida caseira. Conforme o carro avançava rumo a Mucugê, parecia que a nossa procura estava se tornando uma missão impossível.

Chegando à Mucugê, procuramos mais um pouco por um restaurante, mesmo dentro da cidade, não estava fácil encontrar o que queríamos. Foi quando decidimos "forrar" nosso estômago com um quiche na Doce Delícia; para, então, conseguirmos pensar melhor no que fazer, e o que "aljantar".


Como sempre, fomos muito bem recebidos lá, mesmo sujos e com caras esfomeadas. Enquanto comíamos, aproveitamos para pedir dicas, e tentar descobrir quais os restaurantes na cidade que poderiam saciar nossa fome. A Elis Regina, pensou um pouco e nos deu algumas dicas; porém todas as dicas que ela nos dava, não parecia nos servir - ou já tínhamos visto que o restaurante estava fechado, ou não nos agradava mesmo. Estávamos cada vez com mais desejo de uma comida caseira, e cada vez mais desencantados; pois, a cada tentativa, percebíamos que não encontraríamos o que desejávamos naquela noite, naquela cidade.

De repente, a Elis Regina, começou a falar rápido (como se estivesse pensando alto), a explicar que seria algo simples, tipo um franguinho, um arroz e um feijão. Quando ela parou, nos olhou e nos fez uma oferta irrecusável: faria um jantar para a gente, do jeito que queríamos, simples e caseiro. Foi uma surpresa muito grande para nós! Uma sensação de saciedade, de alívio - Bingo, encontramos exatamente o que procurávamos! Na hora, aceitamos a oferta (não perguntamos nem quanto sairia, se os quiches e doces dela eram magníficos, imagina um jantar feito especialmente para a gente). Acertamos o horário e os detalhes (como levar umas cervejas para tomar, pois não tinha cerveja para vender na Doce Delícia), e fomos para a pousada tomar banho.

Cerca de duas horas depois, conforme o combinado, estávamos nós quatro lá. Estávamos prontos, de banhos tomados e com nossa sacola plástica de cervejas nas mãos. O cheiro do jantar estava maravilho, a mesa estava posta para nós, delicadamente posta. Estávamos meio envergonhados, sem jeito, um misto de felicidade e gratidão; resumindo: estávamos muito contentes de poder desfrutar deste momento e famintos.


Bom, deixemos de conversa, e vamos ao que interessa! O cardápio do jantar era: frango grelhado, levemente tempeirado com alho, arroz, feijão, legumes no vapor e salada; tudo com um tempero bem leve, mas que dava para notar - acabo de almoçar e, mesmo assim, quando lembro do sabor da comida, me dá vontade de comê-la novamente.

Durante o jantar, como sempre conversamos muito, rimos muito até a hora de irmos embora. Esperem, não poderíamos ir embora assim, deixando passar a sobremesa... Escolhemos nosso doces e também comprarmos nosso café da manhã para o dia seguinte (partiríamos de volta para Salvador no ônibus às 5:00 da manhã, não daria tempo de tomarmos café da manhã no Hotel). No final do jantar, ficamos com a certeza de que foi melhor do que qualquer outra coisa que tivéssemos comido, em qualquer outro lugar.

Na caminhada de volta para o hotel, nos demos conta de que estava uma noite linda, estrelada, com a lua iluminado a cidade. Para nos despedirmos, ficamos ali mesmo no Hotel, onde tinha um mirante, em que ficamos conversando um pouco, admirando a paisagem e a Lua. Aqueles eram os últimos instantes juntos, na terra encantada da Chapada Diamantina - Bateu aquele sentimento que me aperta o coração em despedidas. Ao final, trocamos e-mails, palavras bonitas, abraços calorosos; tínhamos a certeza de que ali ficaram duas pessoas muito queridas, com quem passamos 4 dias intensos e muito gostosos juntos.

No dia seguinte, o Gui e eu acordamos muito cedo, fomos para a praça de Mucugê, de onde sairia nosso ônibus rumo a Salvador. O ônibus chegou na praça, embarcamos e partimos com ele. Como esperávamos, o ônibus era algo infernal; porque além de ser um ônibus pinga-pinga (que vai parando em muitas cidades), não reclinava a poltrona e não tinha ar condicionado (imaginem o calor que faz na Bahia em 24 de Dezembro?).

Enfim, depois da viagem árdua e cansativa, com tentativas vãs de dormir, chegamos à Salvador. A primeira coisa que fizemos, em Salvador, foi ir ao Albergue. Fizemos o check in, deixamos nossas coisas no quarto, tomamos um belo banho gelado e fomos dar uma volta na cidade. A cidade não estava lá muito agitada - também, dia 24 de Dezembro é véspera de natal, o que mais pode-se esperar? Porém, ainda assim, foi gostoso, resumiu-se em comer um acaragé, tomar cervejas, conhecer o Pelourinho, o Elevador Lacerda e a Praia da Barra.

Enquanto voltávamos ao Albergue, nos demos conta de que já era quase noite. Paramos em um supermercado próximo; compramos um pão, um pouco de salame, queijo e cervejas. Detalhe: esta foi nossa ceia de natal. Ah! Claro, não podia faltar a sobremesa: bombons sonho de valsa, um para cada.


Perto da meia noite, ligamos para as nossas mães e desejamos feliz natal. Pensamos em sair para algum lugar, alguma balada, mas acabamos por desanimar, a cidade parecia muito deserta. Fomos dormir cedo, pois no dia seguinte, acordamos e partimos direto para o aeroporto. De lá saiu o vôo rumo ao Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. Ao chegar no Rio, curtimos um pouco nossa casa, com só nós dois dentro, pois logo já começou a chegar parte da trupe de São José para o Reveillón.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Cachoeira do Buracão



...Em mais uma noite na tranquila Mucugê, saímos para dar uma volta pela cidade. Naquela noite, encontramos a loja do Roberto Sapucaia aberta (ele é quem fez o mapa que o Gui e eu estávamos usando para fazer as trilhas. Atualmente, ele é um dos maiores conhecedores de toda aquela região). O Roberto Sapucaia continua na ativa, com suas caminhadas e empreitada, descobrindo novos caminhos e atualizando seus mapas; enquanto também dá continuidade às suas pesquisas naquelas terras. Conversamos um pouco com o Roberto, contamos nossas peripeças com as trilhas, e como o mapa dele tinha nos ajudado a sair dos "lajedos" na trilha da fenda para o Cachoeirão.

Foi realmente um prazer conhecer uma pessoa tão amável, simpática e com tantas histórias para contar como o Roberto Sapucaia. Como sempre nossa noite terminou com muita conversa boa. Na manhã seguinte, acordamos cedo e partimos para Ibiocara, que é a cidade cede de nosso principal destino naquela área que fica mais ao sul da Chapada Diamentina - a Cachoeira do Buracão.

Para ir ao Buracão, era necessário que contratássemos um Guia cadastrado na Associação local de Guias. Por isso, chegamos em Ibiocara e fomos direto para a tal Associação, onde os Guias nos receberam super bem e foram super simpáticos conosco. A única coisa que não foi muito legal, foi que não podíamos escolher o nosso Guia, tinha que ser o da vez - o que, no nosso caso, não foi muito bom, porque o Guia da vez não era lá muito no mesmo astral do nosso. Durante o caminho ele fez umas brincadeiras sem graça, umas tiradas bobas e por fim, acabamos tendo que ouvir a "agradável" música que vinha do celular dele (ironias a parte). “Porque raios as pessoas não escutam  as músicas que vem do seu celular com o fone de ouvido para não incomodar as pessoas por perto?”

O Caminho até o início da trilha do Buracão era composto de paisagens lindas, de fazendas que pareciam sem fim. Nossa, como tem terra naquela região! Passamos por pontes quase caindo, tivemos que passar por dentro do Rio com o carro - brava Vivi que estava dirigindo! Até  que, enfim, chegamos no início da trilha a pé. A cachoeira é dentro de um Parque Municipal, onde é necessário que todos se identifiquem e paguem uma taxa para entrar. Assim foi feito, nos identificamos, pagamos, estacionamos o carro, colocamos nossas roupas de banho e lá fomos nós para mais uma caminhada.

A trilha em si não é muito grande (cerca de 30 a 40 minutos), nem muito perigosa, porém não menos bonita que as demais. Cercada de árvores e ladeada pelo rio, por pedras e por quedas d’água, que nos proporcionou, o tempo todo, aquele barulhinho bom da água batendo nas pedras.

Chegamos ao fim da trilha seca - isto é, a trilha que fizemos pela terra e pedras sem precisarmos mergulhar na água. Agora seria o início da trilha molhada; colocamos nossos coletes salva-vidas e caímos para dentro do Rio nadando em direção ao grande barulho, que parecia estar no final de um corredor entre pedras.

O barulho era de uma queda d’água muito forte, a água do Rio era negra, tão negra que não dava para ver absolutamente nada (eu fiquei morrendo de medo de me esbarrar e me machucar em uma pedra no fundo, pois não dava para ver nada). A Vivi e eu fomos pela água, seguindo o Guia, já os meninos, decidiram ir caminhando/escalando pelo paredão de pedras nas laterais do corredor. Eles decidiram por este caminho, pois eles estavam carregando as máquinas fotográficas e acharam mais fácil, depois de uma primeira tentativa na água. Obviamente, que as cameras não escaparam e deram umas nadadinhas.

Conforme nadávamos, ouvíamos a queda d’água cada vez mais perto, o que me deixava ansiosa e maravilhada. Era um barulho estrondoso, muito forte mesmo e começávamos a sentir um pouco da correnteza contra a gente. Conforme fomos chegando, o corredor de pedras foi se alargando, o Guia começou a subir nas pedras das beiradas e nos ajudou a subir também. Ao subir um pouquinho, já podíamos ver que lá estava ela, a cachoeira do Buracão, tão esperada e tão bonita!

Deu até um certo arrepio, e quando eu  vi, o Guia logo fez um tibum, deu um belo mergulho naquelas águas negras. Eu estava morrendo de vontade, mas morrendo de medo, pois não sabia se tinham pedras por ali por baixo (maldito medo por pedras, devem ter sido as histórias que ouvi quando criança e me deixaram assim, aterrorizada!). Fiquei gritando dali, atormentando o Guia e pedindo mais informações e que ele repetisse o mergulho, para que eu me sentisse confiante (depois o Guia que é mala). Até que eu tomei coragem e fui também, e depois de alguns minutos, a Vivi também me acompanhou. Foi uma sensação maravilhosa, indescritível, escrevendo agora, me lembro perfeitamente como foi.

Passado meu primeiro medo, dei muitos outros pulos. E lá foi o Guia para o outro lado do Rio, onde estavam os meninos, para mostrar-lhes que se eles subissem bem alto, eles poderiam pular também, e lá foram os três. Eu fiquei olhando babando e tendo vontade, mas não coragem, fico muito travada nos meus medos. Em um momento em que ninguém estava olhando, lá estava eu, escalando. Subi, fiquei receosa, olhando para a água, enrolei um pouco, pedi ajuda e palavras amigas e tibum, foi uma delícia! Um salto mais alto que o anterior, e muito mais emocionante!

Ficamos mais um tempo por lá, pulando, tirando fotos e aproveitando. Porém, tudo o que é bom dura pouco. Chegou a hora de irmos embora. Tínhamos a trilha de volta pela frente, queríamos mais algumas fotos, parar para mais alguns banhos pelo caminho; e no caminho de volta de carro, queríamos fazer uma parada em um mirante para apreciar e aproveitar a vista do pôr do sol...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mucugê - Igatu


Voltemos à Terra encantada da Chapada Diamantina. Está difícil para mim: parar, sentar e me concentrar, pois tem muita coisa acontecendo muito rápido. Mas, vamos retomar de onde paramos...

…O Gui e eu tínhamos conhecido o casal (Viviane - Vivi e José Roberto - Dagó), passado dois dias muito agradáveis com eles. Tínhamos, praticamente, os mesmos planos, e aceitamos a carona deles para irmos à Mucugê, e de lá irmos juntos à Cachoeira do Buracão, uma das principais belezas que tínhamos escolhido ver nesta viagem.

Pelo fato de termos decidido seguir caminho com eles, mudamos um pouco nossos planos, que eram sair do Vale do Paty pela cidade de Andaraí (o lado oposto ao que entramos) e de lá, alugarmos um carro e descer para Mucugê. A partir de Mucugê, iríamos para Ibicoara, a cidade em que se localiza o Buracão. A mudança de trajeto não foi problema, pois as companhias eram muito especiais e o papo muito animado; o que tornou nossa viagem muito agradável!

É estranho como em algumas pessoas que conhecemos tão inesperadamente, e a tão pouco tempo, nos permitem nos sentirmos totalmente à vontade; que nos fazem pensar que as conhecemos por muito tempo.

A viagem que fizemos do Beco até Mucugê durou cerca de uma hora e quinze minutos; nesse tempo fomos conversando, rindo muito e o nosso Guia, o Luis, foi nos dando dicas sobre os próximos passeios. Ao chegarmos na cidade - que, como Lençóis, era muito pequena e muito charmosa, com as ruas de paralelepípedo e com as casas preservadas no estilo bem simples e antigo; deixamos o Luis em casa, combinamos com ele que iríamos ao Hotel tomar banho, e voltar para comermos uma pizza juntos.

A Vivi e o Dagó, nos levaram à Pousada que eles tinham ficado hospedados antes de ir ao Vale, o nome da Pousada era Pé de Serra. A diária custou cerca de R$ 60,00, por casal. Não é uma super pousada de luxo, mas é muito boa e confortável, onde desfrutamos de um delicioso café da manhã, um ótimo serviço e onde pudemos lavar nossas roupas, por um preço bem acessível! Isso é, valeu muito a pena nos hospedarmos lá e nos deu uma sensação de recarregar as baterias do corpo, depois de termos passado três dias inteiros andando no Vale do Paty!

Finalmente, após o nosso merecido banho quente, encontramos o Luís e fomos comer a pizza em Mucugê. A conversa como sempre era muito boa, mas encerramos logo os assuntos pois, no dia seguinte, nossos planos eram acordar cedo, tomar um delicioso o café da manhã e parti para uma cidadezinha chamada Igatu.

Conseguimos acordar no horário combinado, tomar o café da manhã com calma para, então, partirmos para Igatu, que é uma cidade famosa na região. Esta fama vem, pelo fato da cidade possuir ruínas de pedra da época dos mineradores e ter sido o local onde filmaram o filme brasileiro “Bezouro”. Alguns dizem que Igatu é a Machu Picchu brasileira, eu, particularmente, acho um pouco difícil de fazer e opinar sobre essa comparação, pois não conheço AINDA Machu Picchu, mas, acho bem difícil do que o que eu vi lá, seja algo próximo ao que existe no Peru, embora eu não possa deixar de ressaltar que é bonito.

Além de conhecer a cidade, os pontos que nos davam a impressão de estarmos no século passado (tudo ainda trazia as construções antigas feitas de pedras empilhadas), pudemos ver os modelos das casas dos mineradores que habitavam a região - as divisões das casas no chão, uma casa fechada, que conseguimos entre olhar por um pequeno buraco na janela; e, para mim, o mais interessante: pudemos entrar em uma Mina que fora abandonada e destruída. Somente conseguimos visitar a Mina, pois estava acontecendo um projeto de restauração, além da visita tivemos uma visita Guiada e conhecemos parte da História daquele local.

Foi fabuloso conhecer dentro da mina, saber um pouco da história de como se organizavam os mineradores e os coronéis da época. Ouvimos histórias sobre as disputas pelas pedras e terras que eram cheias de pedras; e que aquela mina fora destruída em virtude de uma destas disputas; histórias sobre os coronéias das cidades, sobre a contrução da mina e a inundação. Pois, para destruir a Mina, os coronéis inundaram tudo, abrindo um dos dutos do Rio que passava por ali, e fecharam a entrada da Mina. Para a visitação da mina, os restauradores estavam pedindo R$ 5,00, por visitante, para ajudar o andamento das obras e na compra de material e comida para eles, pois segundo informações locais, aquele projeto estava andando sem ajuda de custo de nenhum órgão.

Ainda em Igatu, não posso deixar de contar que, tomamos um sorvete muito gostoso coberto com licor de amareto, na Galeria de Arte da Cidade; e, depois um lanche requintado com pastas deliciosas e pães quentinhos, organizado, de improviso, somente para a gente (Vivi, Dagó, Gui e eu) na Lanchonete da praça.

Na volta para Mucugê, paramos no rio para tomar um banho, e depois chegando na cidade, fomos comer um delicioso Quiche na recém inaugurada Doce Delícia, cuja a simpática dona era a Elis Regina. Enfim, um dia muito agradável e de descanso depois de três dias inteiros de caminhadas pesadas!



domingo, 11 de setembro de 2011

Mudanças repentinas

Quando eu era mais nova, conseguia terminar tudo o que começava, hoje, acho que acabo pegando muitas coisas para fazer e algumas coisas eu deixo pela metade; principalmente as que dão mais trabalho e que são somente meu interesse. Eu não quero fazer isso com esse blog, muito menos com a narração da viagem à Chapada Diamantina, que foi muito importante para mim e fez com que eu tomasse a decisão de escrever sobre minhas viagens.

Comecei escrevendo assim, pois passou-se quase um ano da viagem; eu já viajei de novo (quase um mês na Europa), tem muita coisa acontecendo na minha vida e, eu ainda não acabei de contar sobre a inesquecível Chapada.

Só para atualizar o que vem acontecendo comigo, vou contar rapidamente e depois eu volto com a Chapada Diamantina e mais detalhes (pensamentos, sensações e experiências) do que vem acontecendo nos últimos tempos.

Por volta do dia 07 de Julho, recebemos um e-mail da imobiliária responsável pela administração do apartamento que nós morávamos, nos avisando que o contrato se encerraria no dia 07/08/2011, e que se quiséssemos continuar no apartamento, provavelmente o valor do aluguel sofreria um reajuste. Respondemos o e-mail aceitando esperar o retorno deles, e analisar a nova proposta de valor do aluguel, para então pensarmos na possibilidade de ficar naquele apartamento por mais um tempo (já háviamos discutido muitas outras possibilidades de mudanças antes disso acontecer).

Então veio a surpresa: o proprietário do apartamento pediu um reajuste de mais de 50% sobre o valor do aluguel. Este fato nos deixou extremamente aborrecidos - os preços na cidade do Rio de Janeiro estão realmente aumentando muito, ficando caducos, gágás, enlouquecidos; mas este valor foi surreal. E, considerado por nós como uma ofensa. Não aceitamos nem negociar algum meio termo. 

Lembrando que o contrato vencia no início do mês de Agosto e que tínhamos uma viagem marcada para a Europa, ficaríamos fora do país por um mês - partiríamos dia 27/07 e retornaríamos dia 23/08; e que estávamos praticamente no meio do mês de Julho. A partir de então, nossos dias foram uma correria só.

Concluindo, o nosso contrato venceria no meio da nossa viagem; e como já estávamos pensando em sair do Recreio, e quem sabe do Rio e quem sabe ainda do Brasil...em duas semanas organizamos nossa mudança, colocamos metade de nossas coisas em um Guarda Móveis, a outra metade e nós fomos para a casa de uma amiga no Bairro de Botafogo e partimos para a Europa, sem casa quando voltássemos. 

Durante toda a viagem nosso pensamento e nossa vontade de sair do Brasil somente aumentaram, provavelmente isso aconteceu por tudo o que passamos, vimos e mudamos lá. Praticamente no início da viagem, já tínhamos tomado a decisão de que, quando voltássemos ao Brasil, alugaríamos um apartamento de temporada (por um mês) aqui no Rio, e este tempo seria dedicado a resolver nossas pendências aqui e nos despedir das pessoas queridas.         

Pois é, o apartamento foi alugado, nossas pendências estão encaminhando para serem resolvidas; e agora faltam apenas uma semana e meia para deixarmos o Rio e partiremos para Buenos Aires por dois meses. Estamos felizes e ansiosos com tudo isso acontecendo; é o jeito de viver que escolhemos por tempo indeterminado. Às vezes sinto algumas pressões e sensações esquisitas e malucas, às vezes tenho vontade de gritar para todos ouvirem, às vezes choro, enfim, uma mistura de sensações interminável (quero ver isso na TPM). Mas tenho certeza de que esta decisão é a que faz mais sentido em nossas vidas agora, e vai nos trazer um amadurecimento e fortalecer o nosso relacionamento (afinal, vamos ver se conseguimos nos suportar de novo, em um lugar sem amigos no início. risos).

Talvez eu demore anos para contar todas as minhas viagens, tudo o que quero escrever aqui, cada detalhe; talvez eu nem consiga realmente acabar; talvez acabar de escrever tudo não seja o objetivo. Mas o que me comprometo agora e o que pretendo realmente fazer é: escrever duas vezes por semana, pois tenho muito para contar e muito a treinar a escrever.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Rampa

Minhas visitas a sala de escrita tem demorado mais do que eu gostaria. Ando sem tempo para tudo, e o trânsito me consome muito tempo diário...são os problemas de viver numa cidade grande, onde se mora a 40 km do trabalho e o número de carros vem crescendo desenfreadamente. Como eu ainda não acabei de relatar a nossa última grande viagem, e queria primeiro contá-la até o final, para depois começar com as divagações, reclamações e, claro, um modelo de blog um pouco diferente, mais a minha cara, com mais fotos, etc. O problema tem sido o tempo e a disposição...

..Bom estávamos com todas as malas que tínhamos nas costas, avistando aquela subida íngreme e agora conhecendo o ritmo forte de caminhada dos nossos novos amigo, estávamos prontos para a rampa. E mandamos ver! Subimos uma infinidade de degraus de pedra, que nunca se acabava, era uma subida íngreme em um tanto, que, para subir a outra perna na próxima pedra, tínhamos que virar um pouco o quadril, e isso sucessivamente, em muitos degraus, como uma gigantesca escada. Em um momento o Gui começou a sentir falta de ar, e dor nas costas o que aumentou a emoção da subida, nós pingávamos de suor, o esforço era grande. Cada vez que parávamos olhávamos para cima, na esperança de ver o final da subida, e ainda víamos muitas pedras, uma em cima da outra, pela frente.
Quando achamos que era o final da trilha, encontramos um grupo de pessoas em que tinha um cara de havaianas, para nós, foi inacreditável. Enfim, era quase o final, e nesse momento, estávamos exaustos. E ainda tinha um bocado pela frente; quando chegamos ao final, nos últimos dois degraus o Luis (o Guia) içou minha mala e levou-a como se fosse um nada, uma pena até o plano (o cabra forte!), enquanto eu tentava escalar os últimos degraus quase engatinhando e, ao mesmo tempo, tentava ajudar o Gui também com as malas dele. E enfim quando acabou a subida, comemoramos, conseguimos sorrir, foi então que avistamos mais duas pessoas que estavam se preparando para descer a rampa, uma delas era o famoso Guia local, o “João pé no chão”, não por menos, o apelido dele é este porque ele Guia no Vale do Paty todo descalço! Imaginem a sola do pé dessa pessoa? Ele é um dos mais lendários Guias do Vale Paty e nós o conhecemos. Nós já tínhamos achado um absurdo um cara fazer aquela trilha de chinelo havaianas, agora encontramos um que faz aquela trilha diariamente descalço.

Depois da subida da rampa, da surpresa do Guia Mito, tomamos o caminho de volta, o mesmo que tínhamos feito dois dias antes, em direção ao Beco, que era onde estava o carro do Dago. A caminhada até o carro foi tranquila, animada e regada de muita conversa, como dois bons mineiros, aquelas amáveis companhias adoravam compartilhar uma história o que fez o tempo passar muito rápido. Ao chegarmos no carro, fizemos poses para fotos, trocamos de roupa, bebemos água e comemos um pouco, a até a hora do adeus aquela terra linda e encantada e pegarmos o rumo de Mucugê