quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Cachoeira do Buracão



...Em mais uma noite na tranquila Mucugê, saímos para dar uma volta pela cidade. Naquela noite, encontramos a loja do Roberto Sapucaia aberta (ele é quem fez o mapa que o Gui e eu estávamos usando para fazer as trilhas. Atualmente, ele é um dos maiores conhecedores de toda aquela região). O Roberto Sapucaia continua na ativa, com suas caminhadas e empreitada, descobrindo novos caminhos e atualizando seus mapas; enquanto também dá continuidade às suas pesquisas naquelas terras. Conversamos um pouco com o Roberto, contamos nossas peripeças com as trilhas, e como o mapa dele tinha nos ajudado a sair dos "lajedos" na trilha da fenda para o Cachoeirão.

Foi realmente um prazer conhecer uma pessoa tão amável, simpática e com tantas histórias para contar como o Roberto Sapucaia. Como sempre nossa noite terminou com muita conversa boa. Na manhã seguinte, acordamos cedo e partimos para Ibiocara, que é a cidade cede de nosso principal destino naquela área que fica mais ao sul da Chapada Diamentina - a Cachoeira do Buracão.

Para ir ao Buracão, era necessário que contratássemos um Guia cadastrado na Associação local de Guias. Por isso, chegamos em Ibiocara e fomos direto para a tal Associação, onde os Guias nos receberam super bem e foram super simpáticos conosco. A única coisa que não foi muito legal, foi que não podíamos escolher o nosso Guia, tinha que ser o da vez - o que, no nosso caso, não foi muito bom, porque o Guia da vez não era lá muito no mesmo astral do nosso. Durante o caminho ele fez umas brincadeiras sem graça, umas tiradas bobas e por fim, acabamos tendo que ouvir a "agradável" música que vinha do celular dele (ironias a parte). “Porque raios as pessoas não escutam  as músicas que vem do seu celular com o fone de ouvido para não incomodar as pessoas por perto?”

O Caminho até o início da trilha do Buracão era composto de paisagens lindas, de fazendas que pareciam sem fim. Nossa, como tem terra naquela região! Passamos por pontes quase caindo, tivemos que passar por dentro do Rio com o carro - brava Vivi que estava dirigindo! Até  que, enfim, chegamos no início da trilha a pé. A cachoeira é dentro de um Parque Municipal, onde é necessário que todos se identifiquem e paguem uma taxa para entrar. Assim foi feito, nos identificamos, pagamos, estacionamos o carro, colocamos nossas roupas de banho e lá fomos nós para mais uma caminhada.

A trilha em si não é muito grande (cerca de 30 a 40 minutos), nem muito perigosa, porém não menos bonita que as demais. Cercada de árvores e ladeada pelo rio, por pedras e por quedas d’água, que nos proporcionou, o tempo todo, aquele barulhinho bom da água batendo nas pedras.

Chegamos ao fim da trilha seca - isto é, a trilha que fizemos pela terra e pedras sem precisarmos mergulhar na água. Agora seria o início da trilha molhada; colocamos nossos coletes salva-vidas e caímos para dentro do Rio nadando em direção ao grande barulho, que parecia estar no final de um corredor entre pedras.

O barulho era de uma queda d’água muito forte, a água do Rio era negra, tão negra que não dava para ver absolutamente nada (eu fiquei morrendo de medo de me esbarrar e me machucar em uma pedra no fundo, pois não dava para ver nada). A Vivi e eu fomos pela água, seguindo o Guia, já os meninos, decidiram ir caminhando/escalando pelo paredão de pedras nas laterais do corredor. Eles decidiram por este caminho, pois eles estavam carregando as máquinas fotográficas e acharam mais fácil, depois de uma primeira tentativa na água. Obviamente, que as cameras não escaparam e deram umas nadadinhas.

Conforme nadávamos, ouvíamos a queda d’água cada vez mais perto, o que me deixava ansiosa e maravilhada. Era um barulho estrondoso, muito forte mesmo e começávamos a sentir um pouco da correnteza contra a gente. Conforme fomos chegando, o corredor de pedras foi se alargando, o Guia começou a subir nas pedras das beiradas e nos ajudou a subir também. Ao subir um pouquinho, já podíamos ver que lá estava ela, a cachoeira do Buracão, tão esperada e tão bonita!

Deu até um certo arrepio, e quando eu  vi, o Guia logo fez um tibum, deu um belo mergulho naquelas águas negras. Eu estava morrendo de vontade, mas morrendo de medo, pois não sabia se tinham pedras por ali por baixo (maldito medo por pedras, devem ter sido as histórias que ouvi quando criança e me deixaram assim, aterrorizada!). Fiquei gritando dali, atormentando o Guia e pedindo mais informações e que ele repetisse o mergulho, para que eu me sentisse confiante (depois o Guia que é mala). Até que eu tomei coragem e fui também, e depois de alguns minutos, a Vivi também me acompanhou. Foi uma sensação maravilhosa, indescritível, escrevendo agora, me lembro perfeitamente como foi.

Passado meu primeiro medo, dei muitos outros pulos. E lá foi o Guia para o outro lado do Rio, onde estavam os meninos, para mostrar-lhes que se eles subissem bem alto, eles poderiam pular também, e lá foram os três. Eu fiquei olhando babando e tendo vontade, mas não coragem, fico muito travada nos meus medos. Em um momento em que ninguém estava olhando, lá estava eu, escalando. Subi, fiquei receosa, olhando para a água, enrolei um pouco, pedi ajuda e palavras amigas e tibum, foi uma delícia! Um salto mais alto que o anterior, e muito mais emocionante!

Ficamos mais um tempo por lá, pulando, tirando fotos e aproveitando. Porém, tudo o que é bom dura pouco. Chegou a hora de irmos embora. Tínhamos a trilha de volta pela frente, queríamos mais algumas fotos, parar para mais alguns banhos pelo caminho; e no caminho de volta de carro, queríamos fazer uma parada em um mirante para apreciar e aproveitar a vista do pôr do sol...