Tenho protelado, olhado a folha em branco e me sentido angustiada, dado vida a ela preenchendo-a com letras e frases sem sentido e apagado tudo.
A verdade é que minha vida deu uma reviravolta, uma revolução mesmo.Tudo mudou, dentro e fora, estou me descobrindo, descobrindo um pedacinho a cada dia.
Nesse tempo que estive longe, andei por terras longínquas: saí de Buenos Aires - cidade que odiei e passei a amar, parti para o Noroeste Argentino - onde vi paisagens lindas, povos diferentes de tudo o que eu estava acostumada a ver, lidei com o meu medo de altura e velocidade aprendendo a esquiar. Estive no Leste Europeu em países e culturas diversas (incluindo os Balkans, terras que me encantaram), chegou a vez da Turquia (país hoje em evidência, não só mais pela novela global - quando eu estava lá a quantidade de turistas brasileiros visitando o país em virtude da novela era incontável - mas também pelo cenário de protestos políticos que vem eclodindo por lá), não podia deixar de visitar Paris, onde meu irmão estava vivendo e Londres (cidade em que ficou marcada por grandes alegrias e tristezas, grande prova de amor e amizade e também prova de total falta de consideração e sensibilidade) e Suíça (onde re-encontrei um grande amigo).
De volta ao Brasil, em dezembro, aprendi que posso contar com meus pais, que não me estiveram ao meu lado em um momento tão difícil, me dando forças e suporte para seguir em frente, lutar e me reerguer. Pela primeira vez em dez anos, passei três semanas quase inteiras na casa dos meus pais em São José dos Campos, re-encontrei amigos, familiares e pessoas que estava com saudades e vi que, definitivamente, por enquanto, São José não faz perto dos meus planos de vida.
Agora no Rio, estou re-aprendendo a viver, resgatando quem eu sou, colocando tudo em cheque, concebendo e internalizando o que me tornei e o que vivi depois de tantas experiências ricas, tantas dificuldades vividas e tanto tempo fora da minha zona de conforto.
Aqui fui recebida de braços abertos, por um casal de amigos daqui do Rio - com quem morei por um mês e meio; pelos amigos que fiz aqui; pelos amigos que fiz na Unicamp que se mudaram para o Rio, a Marina que alem de me hospedar por duas semanas, sempre esteve de braços e coração abertos para mim; e o Renato e a Priscila, lhes devo a felicidade de poder ter a minha casa (é uma felicidade inenarrável ter uma casa, decorada do jeito que desejamos, depois de passar tanto tempo pulando de galho em galho, sem meu canto); sem falar na minha mais nova velha amiga e companheira Alita, que tem tido papel fundamental em toda esta fase e me aguentado todos os dias e noites no lar.