sexta-feira, 6 de junho de 2014

A beleza da simplicidade

Desceram do taxi e deram de cara com a porta do supermercado fechado. Meio bebados, tiveram a brilhante idéia de ir de bicicleta até o supermercado que estaria aberto, cerca de 5 quilômetros dali. Eles só tinham uma bicicleta..pensaram em não ir os dois, por insistência dela, acabaram indo os dois; ela na garupa, quicando naquele monte de ferro duro e gelado da bicicleta.
A ida foi com vento na cara, apreciando a praia na madrugada, observando as poucas pessoas que ali estavam. O mar estava lindo, uma cor indescritível, a mistura da cor bonita de mar com as luzes que refletiam nas ondas. A surpresa veio na volta, quando ela sussurou ao ouvido dele: “ai que vontade de parar”, como num impulso, ele virou a bicicleta em direção à praia e foram para as pedras do Arpoador.
Deitaram-se ali, beijaram-se, viram o mar, as ondas, quiseram pular na água, mas a lembrança de que não haveria água quente quando chegassem em casa, os afastou desta ideia. Decidiram voltar, o gato os esperava para comer; voltaram diferente, com um sorriso no rosto, felizes de terem se sentido adolescentes e vivido aquele momento simples e único.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Voltando...

Tenho protelado, olhado a folha em branco e me sentido angustiada, dado vida a ela preenchendo-a com letras e frases sem sentido e apagado tudo.

A verdade é que minha vida deu uma reviravolta, uma revolução mesmo.Tudo mudou, dentro e fora, estou me descobrindo, descobrindo um pedacinho a cada dia.

Nesse tempo que estive longe, andei por terras longínquas: saí de Buenos Aires - cidade que odiei e passei a amar, parti para o Noroeste Argentino - onde vi paisagens lindas, povos diferentes de tudo o que eu estava acostumada a ver, lidei com o meu medo de altura e velocidade aprendendo a esquiar. Estive no Leste Europeu em países e culturas diversas (incluindo os Balkans, terras que me encantaram), chegou a vez da Turquia (país hoje em evidência, não só mais pela novela global - quando eu estava lá a quantidade de turistas brasileiros visitando o país em virtude da novela era incontável - mas também pelo cenário de protestos políticos que vem eclodindo por lá), não podia deixar de visitar Paris, onde meu irmão estava vivendo e Londres (cidade em que ficou marcada por grandes alegrias e tristezas, grande prova de amor e amizade e também prova de total falta de consideração e sensibilidade) e Suíça (onde re-encontrei um grande amigo).

De volta ao Brasil, em dezembro, aprendi que posso contar com meus pais, que não me estiveram ao meu lado em um momento tão difícil, me dando forças e suporte para seguir em frente, lutar e me reerguer. Pela primeira vez em dez anos, passei três semanas quase inteiras na casa dos meus pais em São José dos Campos, re-encontrei amigos, familiares e pessoas que estava com saudades e vi que, definitivamente, por enquanto, São José não faz perto dos meus planos de vida.
Agora no Rio, estou re-aprendendo a viver, resgatando quem eu sou, colocando tudo em cheque, concebendo e internalizando o que me tornei e o que vivi depois de tantas experiências ricas, tantas dificuldades vividas e tanto tempo fora da minha zona de conforto.

Aqui fui recebida de braços abertos, por um casal de amigos daqui do Rio - com quem morei por um mês e meio; pelos amigos que fiz aqui; pelos amigos que fiz na Unicamp que se mudaram para o Rio, a Marina que alem de me hospedar por duas semanas, sempre esteve de braços e coração abertos para mim; e o Renato e a Priscila, lhes devo a felicidade de poder ter a minha casa (é uma felicidade inenarrável ter uma casa, decorada do jeito que desejamos, depois de passar tanto tempo pulando de galho em galho, sem meu canto); sem falar na minha mais nova velha amiga e companheira Alita, que tem tido papel fundamental em toda esta fase e me aguentado todos os dias e noites no lar.

A ideia é ir contando aos poucos os acontecimentos, as dúvidas, os medos, as conquistas e as vivências. Como seguir uma ordem cronológica não

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Aos meus amigos


Este post está na cabeça faz tempo, e mesmo assim ainda está um pouco nublado, sem começo e sem fim. Cada vez que passa o tempo, penso que ele cai como uma luva - acho que qualquer instante ele cairia como uma luva. Porque, o que vou falar hoje, é uma das coisas mais essenciais da nossa vida, os amigos. Não pensei sempre assim, não fui ensinada a pensar assim (“minha filha, a família sempre em primeiro lugar” dizia minha mãe - não que na família eu não tenha GRANDES AMIGOS), mas com o passar do tempo fui percebendo o quão importante são e daí passei a colocá-los em um lugar especial na minha vida.

Desde que vim para cá, meus hábitos mudaram muitas vezes. No início, eu confesso, eu vivia do facebook; de saber o que estava acontecendo no Brasil, o que as pessoas estavam fazendo, o que estava acontecendo na vida de cada um. Isso ficou sério, tornou-se um hábito diário, quase uma obsessão, um vício, acho que perdi horas, se somarmos, talvez dias ali, só olhando o facebook, as fotos atualizadas, o que meus amigos estavam fazendo.

Parando para pensar, concluí que este hábito estava só acabando comigo e me deixando em mais em crise - estava aqui, mas minha cabeça não saiu de lá. Quando me dei conta disso, simplesmente fui diminuindo aos poucos, foi desligando-me do computador e comecei a viver a vida aqui. Isso foi bom, porque desde Janeiro, quando eu parei com esta história, minha vida melhorou bastante aqui.

Mas essa “obsessão”, este tempo gasto no facebook, também me trouxeram coisas boas: fiz contatos que estavam esquecidos, resolvi mal entendidos que estavam em aberto, me aproximei de algumas pessoas, refiz alguns amigos que foram importantes para mim, fiz as pazes, pedi desculpas, desculpei... e por aí vai. E o melhor que esta “obsessão” poderia me trazer foi, re-enfatizar para mim mesma que os amigos são essenciais na nossa vida, e que mesmo estando longe fisicamente, é possível manter uma grande amizade e dividir problemas e alegrias com os amigos tão queridos, como se estivessem presentes ali, do nosso lado. Ainda mais dispondo de tanta tecnologia que aprimora as nossas formas de comunicação.

Graças ao meu “mau hábito”, voltei a conversar com pessoas que não conversava a tempos, senti saudades demais, recebi parabéns de várias pessoas que eu pensava com carinho, mas não sabia que pensavam em mim também. Pensei em pessoas que se distanciaram, sem eu saber exatamente o porquê. Mandei e-mails, recados, falei por skype, matando saudades, pedindo ajuda, ajudando, compartilhando.

Enfim, minha vida está passando por uma reviravolta e muitos aprendizados, e uma coisa que aprendi e que não quero nunca mais esquecer ou desaprender é: como vocês amigos queridos são tão importantes para minha vida. Obrigada aos amigos que sempre estiveram do meu lado, aqueles que estão chegando agora e aos amigos que eu recuperei graças aos amadurecimentos da vida e às redes sociais. Vocês são verdadeiramente muito importante para mim!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Girar o globo, apontar um lugar e se mudar para lá!



Este é o sonho de muita gente, confesso que era o meu também. Mas não imaginava que tomar decisões quando se tem liberdade demais ia ser tão difícil. Desde Outubro estamos em Buenos Aires! A ideia inicial era ficar aqui só dois ou três meses e já estamos há cinco, indo para o sexto mês.
No mês de Janeiro, decidimos ficar mais aqui, porque estava cômodo - temos amigos aqui, eu tinha mais um mês de curso de Espanhol e a cidade estaria vazia e boa para passearmos por conta das férias escolares dos Argentinos. Ao final de Janeiro, decidimos ficar mais, pelo menos um mês, por aqui. Então, parei de novo minha vida e voltei a correria de procurar apartamentos para morarmos, porque o que estávamos já estava reservado por outras pessoas.

Encontramos um apartamento e como eu estava com dúvidas, medos, inseguranças, dificuldades, cansada de procurar apartamentos todos os meses e com a necessidade de ter um projeto de construir coisas (entre trabalhos, cursos, vida profissional), reservamos o apartamento para seis meses.

Nos últimos dias, conversando, levantamos algumas questões que estão sendo difíceis para decidirmos sozinhos - se alguém puder comentar e nos ajudar, ia ser ótimo.

Aqui seria passageiro, o começo, e que o ponto principal seria viver por um tempo na Europa. Mas acabou que está se tornando nada passageiro, e aí vem as dúvidas.

  1. A Europa está passando por um crise financeira muito grande, e isso tornaria mais difícil que eu consiga um trabalho lá; o que tornaria mais difícil a nossa estadia lá; porque o custo de vida lá continua alto, eu posso demorar para me encontrar sem um trabalho, uma ocupação...
Pensamos em abrir mão desta construção de coisas aqui em Buenos Aires, não ficar mais muito tempo aqui, e partir para alguns outros lugares da América Latina (como já era o planejado); para depois irmos para a Europa passar uns três meses lá - e não mais um ou dois anos, como era o planejado. E depois voltarmos ao Brasil.

  1. Podemos ficar por aqui, e eu dar continuidade aos projetos que comecei, construir coisas aqui, eu continuar a  correr atrás de trabalhos - que não vão me pagar muito, mas vão me trazer experiência; e depois repensamos o que fazer.

Eu realmente estou em dúvida, tem horas que eu gosto mais da primeira opção, mas confesso que fico com medo de deixar uma oportunidade de construir coisas passar, e medo da grande crise interna que eu tive voltar. Há momentos que eu simplesmente acho que realmente tenho que ficar por aqui, e aí fico com medo de deixar esta oportunidade de viajar passar. Enfim, estou precisando de outros pontos de vista...

segunda-feira, 5 de março de 2012

S A U D A D E S


Hoje vou falar um pouco de saudade. Sempre sou super sentimental com as coisas e super carente com as pessoas, e ao mesmo tempo sempre me fiz de durona nas situações necessárias. Mas no final de semana passado percebi que tenho mais saudade do que imaginava.

Voltamos ao Brasil numa viagem inesperada por um motivo super triste: a avó do Gui faleceu. A viagem foi mais para fazermos companhia para a minha sogra e tentar, juntos, acalmar a dor da perda. Porem, aproveitei e vi algumas pessoas queridas (família e amigos).

Assim que decidimos ir, já bateu um frio na barriga grande, e uma mistura de sentimentos que me deixaram um pouco mais quieta e um pouco amedrontada - O que eu, que estou passando por crises internas imensas aqui, sentiria ao pisar no Brasil?! - Estava indo para um luto e morrendo de saudade de tudo ali, fiquei meio sem saber como conduzir este monte de sentimentos. Tentei não ter expectativas e nem ficar martirizando muito esses sentimentos loucos que estavam dentro de mim.

Chegando em São José, cansados e de madrugada a primeira coisa que eu vi, que quase morri de saudades foi o rack da sala da minha ex casa, minhas roupas que eu deixei para trás e um monte de sentimentos confusos em relação a coisas e as saudades. Como eu, que me achava super desapegada dos bens materiais, estava sentindo saudades dos objetos? Me deu uma saudade infinita da praia, do meu trabalho, dos meus amigos - apesar de estar longe de muitos deles, vivendo no Rio, ainda assim estava no mesmo país. Me deu saudade de ter minha casa, meus livros, tudo exposto e decorado como eu escolhi. Senti saudades da liberdade de poder ir para a praia em um dia qualquer, da areia, do cheiro do Brasil (acreditem, o cheiro do Brasil é diferente).

Em meio a toda esta crise, pude ver que: bem, escolhi viver assim, desse novo jeito, e vou enfrentar isso e espero vencer todas estas crises. Mas também decidi que isso vai ser temporário, que por agora, o que eu penso é em tirar proveito de tudo o que estou tendo, de toda a oportunidade, do tempo para pensar em mim e talvez no que eu quero ser quando eu crescer e investir nisso, em mim. Mas por enquanto, também decidi que eu quero voltar para viver no Brasil.

Sim, o país tem ainda infinitos defeitos, os impostos que pagamos vão todos para os bolsos do políticos corruptos que nós elegemos, poucos de nós reclamamos pelos direitos que temos, o transporte público não funciona, o trânsito é infernal, a falta de respeito ao outro é enorme, a consciência política crítica e bem fundada da população não é das mais admiráveis, a educação deixa muito a desejar, a saúde nem se fala...

Mas mesmo assim, EU SINTO FALTA DO CHEIRO DO BRASIL. Sinto falta dos meus amigos, da minha família, das mordomias que tinha lá, de ter a minha casa montada e escolhida por mim, de saber que uma viagem de ônibus em algumas (muitas) horas liga as cidades que eu vivia, que eu não preciso ficar me preocupando com visto ou trâmites de residência.

Enfim, depois de tantas crises e medos, e coisas mal resolvidas dentro dessa “cabecinha oca”, voltei para Buenos Aires com os olhos mareados e cheios de lágrimas dentro do avião. Porem,  com a certeza que este é o tempo certo para eu continuar esta empreitada que comecei, e estou renovada para todas as metas que eu tracei aqui, e para aproveitar cada segundo. Agora deixa eu ir a o sol está forte lá fora e a vida passando aqui dentro...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Crise


Há mais de um mês não escrevo algo! Acabei deixando que as crises tomassem conta de mim e das minhas vontades. Aconteceram muitas coisas legais e muitas coisas muito chatas neste tempo. Tive vontade de escrever, tive muitas coisas para escrever, pensei em que escrever e como escreveria; mas quando eu chegava em casa e ligava o computador, quem disse que eu conseguia? O medo de escrever também veio para a “festa da crise”, junto com tantos outros medos...

Então, fui deixando para depois... depois... depois... Até que esta semana eu tomei coragem, dei um basta a mim mesma e a esta inércia que eu estava vivendo! Eu estava tornando tudo mais difícil (ou impossível) e menos prazeroso (ou sem prazer).

Comecei a pensar nas mudanças que passei na vida - acho que é normal sempre que mudarmos, termos uma certa crise e vivermos um certo descompasso com as coisas mundanas. Se mudamos de país, de cultura e de costumes, com uma crise mal resolvida no relacionamento, ainda sem objetivos muito certos, acho que isso agrava a situação, e foi o que aconteceu comigo. Custei a entender e aceitar que estava assim, mas sim, estava!

Agora que abri os olhos e enxerguei o que estava acontecendo, estou me cuidando, melhorando, mas ainda existem pontos que precisam ser revistos, feridas que precisam ser curadas e cuidados que precisam ser tomados.

No episódio do roubo do meu celular (Novembro de 2011), um grande amigo me enviou a imagem do quadro “O Grito” (Edvard Munch, 1893). A todo tempo tenho me lembrado desta obra de arte; nos últimos dias tem sido mais fácil para mim interpretá-la, entender o por quê a tenho tido como referência, e depois de ter chegado nos porquês, tenho conseguido, até mesmo, gritar!

O bom é que estou “gritando” e colocando para fora de mim o turbilhão de coisas que estava sentindo, estou conseguindo pensar neste turbilhão, fazer com que ele diminua e que os efeitos dele não me façam mais tanto mal.

Na semana passada meu curso de espanhol acabou, parece que saiu um peso de 10 horas do meu dia (tinha só 3 horas de aula), um exemplo disso é que no último dia de aula consegui resolver muitas coisas que estavam pendentes a muito tempo e mudar minha forma de encarar algumas dificuldades. Tirei daí uma lição: não leve aquilo que, desde o começo, está vendo que não vai dar certo para frente - eu já podia ter aprendido isso. Outra lição que eu aprendi e preciso por em prática é: não tenha medo de se expor a seus amigos, e peça-lhes ajuda, DE VERDADE, quando não está bem - afinal amigos não são só para os momentos bons não é?!

Bom, desde quarta feira passada, cada tarefa completada me faz muito bem, e fico me sentido muito útil! Há alguns meses não me sentia assim e tampouco conseguia completar tarefas. Estava acontecendo o seguinte: se não as completava, não conseguia fazer outras coisas que gosto ou que me interesso e ficava insatisfeita; insatisfeita não tinha força para fazer tarefas chatas... isso criava um círculo vicioso do qual eu não conseguia sair nem me desvencilhar.

Embora eu ainda esteja me culpando por ter passado tanto tempo em crise e desperdiçado muitos momentos bons (o que não deveria fazer: culpar me); aprendi neste período que não devo deixar as coisas chegarem ao ponto em que estavam....

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma questão de educação.


Acredito que um dos maiores motivos que levam um país ao desenvolvimento, e o mantém neste estado, é a educação. Em um país onde a população não tem educação, é mais difícil de estruturar muitos pontos críticos que o fazem funcionar melhor, como por exemplo, o respeito no trânsito, nas filas e às pessoas de uma forma geral; a capacidade crítica aos maus governos e governantes. Dentre muitos outros pontos, estes exemplos também são capazes de manter um país em melhores condições para se viver.

No Brasil, não é novidade para ninguém que a Educação está muito aquém do ideal. Assim como, por um lado, os problemas se agravam pela falta de respeito e educação da população, por outro lado, os problemas, já existentes, se mantém, pela falta de iniciativa e conformismo da maioria da população; a qual não recebeu uma educação de qualidade, e tampouco tem a noção do que é direito de cada um. Com as “armas” deixadas pelo legado do conhecer, as pessoas poderiam reivindicar os direitos que têm, saber seus deveres (e cumprí-los, quem sabe) e entender um pouco dos problemas do país.

Aqui na Argentina, as pessoas no transito não são mais respeitosas com os pedestres do que no Brasil (pelo contrário), nem as pessoas no metro são mais educadas do que as do Brasil, a não ceder seus acentos aos idosos, gestantes e deficientes; ao acotovelar as pessoas em horários de pico (acho que estas são de igual para igual); prevalece aqui, como no Brasil, a lei do mais forte e do mais rápido.

Porém, aqui acontecem algumas coisas que fica claro o quanto a Educação faz diferença. (Um parêntese somente para lembrar que na Argentina o modelo de educação pública básica, obrigatória e gratuita, ainda é bem conceituada internacionalmente, e antiga - Lei 1420, que foi criada em 1882). Mesmo agora, com toda a crise que o país vem passando (os problemas financeiros aqui estão em alta: a inflação foi registrada aproximadamente entre 10% e 30% anual em 2010, com números oficiais - dados do governo* - e privados - dados de economistas argentinos publicados na internet**, respectivamente) , pelo que tenho observado aqui, as crianças estão sendo alfabetizadas. O número real de adultos não alfabetizados é muito pequeno, isto é, a maioria da população daqui sabe ler e escrever.

Nos vejo como um país muito lindo, em que o povo é muito feliz e bonito, a música popular brasileira é muito boa; porém, também vejo um povo muito acomodado (as falcatruas no governo acontecem praticamente às claras; a corrupção em muitos órgãos públicos, também); todos sabemos e temos acesso às notícias; porém, mesmo assim, não se faz nada para melhorar, as coisas continuam no mesmo rítmo. Muitas vezes nos esquecemos de tudo o que se passou, e através das urnas elegemos os políticos corruptos novamente.

Diante deste comparativo traçado, uma das coisas que tenho pensado, é que, este perfil em que se encontra o povo brasileiro, existe, em sua maioria, pelos simples motivos do desconhecimento, ignorância, comodidade, falta de práticas para se lutar pelo melhor ao país, falta de cultura para isso.

Algumas vezes, infelizmente, penso o pior, que este o comodismo pode existir por conta do egoísmo e da ganância,. Se pararmos e pensarmos, teremos exemplos claros, quando nos lembramos das pessoas que se escondem dentro de suas casas e do seu poder economico (com seus carros blindados, seguranças particulares, casas cheias de grades e em condomínios fechados, compra de privilégios), enquanto as pessoas não tão ricas (veja, não precisam nem ser pobres), passam aperto para manter sua segurança, sua saúde, a educação dos filhos e manter seus direitos assegurados.

Aqui na Argentina, por outro lado, se a população está descontente com algo, as pessoas vão as ruas protestar, fazem piquetes, batem panelas, picham muros, manifestam-se, lutam pelo que acreditam ser direito delas. O que tenho observado aqui, é que a maioria da população entende o que se passa com a política do país, conhece a história do país, sabe dizer o por que os fatos estão acontecendo.

Mais uma vez, se fizermos um paralelo no Brasil, nos últimos anos, podemos constatar que o país melhorou muito economicamente, “está crescendo”, ou contrário da Argentina, que está em crise. Porém, mesmo o país melhorando, tendo dinheiro e sua população, consequentemente estar com o poder aquisitivo maior; é insuficiente para que um país prospere culturalmente. A impressão que tenho é que vão aparecer cada vez mais novos ricos, talvez, mal formados, cujos desejos são apenas tornar-se mais e mais ricos, esquecendo-se do restante da população do país que vivem.

Bom minha gente, eu comparei o Brasil com a Argentina, que é onde estou vivendo agora, e tenho observado um pouco os costumes na vida da população aqui. O Brasil é um país lindo, cheio de belezas naturais maravilhosas, riquezas e pessoas maravilhosas; devemos analisar mais o que acontece e lutar pelo que temos direito, ser conscientes nos nossos votos, lutar por uma educação melhor - não só para os nossos filhos e netos, como para todas as pessoas que habitam este país. Tudo isto, para que se torne um lugar mais justo, onde a lei do malandro não mais prevaleça, para que tenhamos menos impunidade, para que não seja mais preciso nos esconder e a nossos filhos atrás de muros de condomínios, casas com grades e alarmes de segurança, além de pagar absurdos em impostos e ainda assim termos que pagar outros absurdos em escolas e planos de saúde.