quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mucugê - Igatu


Voltemos à Terra encantada da Chapada Diamantina. Está difícil para mim: parar, sentar e me concentrar, pois tem muita coisa acontecendo muito rápido. Mas, vamos retomar de onde paramos...

…O Gui e eu tínhamos conhecido o casal (Viviane - Vivi e José Roberto - Dagó), passado dois dias muito agradáveis com eles. Tínhamos, praticamente, os mesmos planos, e aceitamos a carona deles para irmos à Mucugê, e de lá irmos juntos à Cachoeira do Buracão, uma das principais belezas que tínhamos escolhido ver nesta viagem.

Pelo fato de termos decidido seguir caminho com eles, mudamos um pouco nossos planos, que eram sair do Vale do Paty pela cidade de Andaraí (o lado oposto ao que entramos) e de lá, alugarmos um carro e descer para Mucugê. A partir de Mucugê, iríamos para Ibicoara, a cidade em que se localiza o Buracão. A mudança de trajeto não foi problema, pois as companhias eram muito especiais e o papo muito animado; o que tornou nossa viagem muito agradável!

É estranho como em algumas pessoas que conhecemos tão inesperadamente, e a tão pouco tempo, nos permitem nos sentirmos totalmente à vontade; que nos fazem pensar que as conhecemos por muito tempo.

A viagem que fizemos do Beco até Mucugê durou cerca de uma hora e quinze minutos; nesse tempo fomos conversando, rindo muito e o nosso Guia, o Luis, foi nos dando dicas sobre os próximos passeios. Ao chegarmos na cidade - que, como Lençóis, era muito pequena e muito charmosa, com as ruas de paralelepípedo e com as casas preservadas no estilo bem simples e antigo; deixamos o Luis em casa, combinamos com ele que iríamos ao Hotel tomar banho, e voltar para comermos uma pizza juntos.

A Vivi e o Dagó, nos levaram à Pousada que eles tinham ficado hospedados antes de ir ao Vale, o nome da Pousada era Pé de Serra. A diária custou cerca de R$ 60,00, por casal. Não é uma super pousada de luxo, mas é muito boa e confortável, onde desfrutamos de um delicioso café da manhã, um ótimo serviço e onde pudemos lavar nossas roupas, por um preço bem acessível! Isso é, valeu muito a pena nos hospedarmos lá e nos deu uma sensação de recarregar as baterias do corpo, depois de termos passado três dias inteiros andando no Vale do Paty!

Finalmente, após o nosso merecido banho quente, encontramos o Luís e fomos comer a pizza em Mucugê. A conversa como sempre era muito boa, mas encerramos logo os assuntos pois, no dia seguinte, nossos planos eram acordar cedo, tomar um delicioso o café da manhã e parti para uma cidadezinha chamada Igatu.

Conseguimos acordar no horário combinado, tomar o café da manhã com calma para, então, partirmos para Igatu, que é uma cidade famosa na região. Esta fama vem, pelo fato da cidade possuir ruínas de pedra da época dos mineradores e ter sido o local onde filmaram o filme brasileiro “Bezouro”. Alguns dizem que Igatu é a Machu Picchu brasileira, eu, particularmente, acho um pouco difícil de fazer e opinar sobre essa comparação, pois não conheço AINDA Machu Picchu, mas, acho bem difícil do que o que eu vi lá, seja algo próximo ao que existe no Peru, embora eu não possa deixar de ressaltar que é bonito.

Além de conhecer a cidade, os pontos que nos davam a impressão de estarmos no século passado (tudo ainda trazia as construções antigas feitas de pedras empilhadas), pudemos ver os modelos das casas dos mineradores que habitavam a região - as divisões das casas no chão, uma casa fechada, que conseguimos entre olhar por um pequeno buraco na janela; e, para mim, o mais interessante: pudemos entrar em uma Mina que fora abandonada e destruída. Somente conseguimos visitar a Mina, pois estava acontecendo um projeto de restauração, além da visita tivemos uma visita Guiada e conhecemos parte da História daquele local.

Foi fabuloso conhecer dentro da mina, saber um pouco da história de como se organizavam os mineradores e os coronéis da época. Ouvimos histórias sobre as disputas pelas pedras e terras que eram cheias de pedras; e que aquela mina fora destruída em virtude de uma destas disputas; histórias sobre os coronéias das cidades, sobre a contrução da mina e a inundação. Pois, para destruir a Mina, os coronéis inundaram tudo, abrindo um dos dutos do Rio que passava por ali, e fecharam a entrada da Mina. Para a visitação da mina, os restauradores estavam pedindo R$ 5,00, por visitante, para ajudar o andamento das obras e na compra de material e comida para eles, pois segundo informações locais, aquele projeto estava andando sem ajuda de custo de nenhum órgão.

Ainda em Igatu, não posso deixar de contar que, tomamos um sorvete muito gostoso coberto com licor de amareto, na Galeria de Arte da Cidade; e, depois um lanche requintado com pastas deliciosas e pães quentinhos, organizado, de improviso, somente para a gente (Vivi, Dagó, Gui e eu) na Lanchonete da praça.

Na volta para Mucugê, paramos no rio para tomar um banho, e depois chegando na cidade, fomos comer um delicioso Quiche na recém inaugurada Doce Delícia, cuja a simpática dona era a Elis Regina. Enfim, um dia muito agradável e de descanso depois de três dias inteiros de caminhadas pesadas!



domingo, 11 de setembro de 2011

Mudanças repentinas

Quando eu era mais nova, conseguia terminar tudo o que começava, hoje, acho que acabo pegando muitas coisas para fazer e algumas coisas eu deixo pela metade; principalmente as que dão mais trabalho e que são somente meu interesse. Eu não quero fazer isso com esse blog, muito menos com a narração da viagem à Chapada Diamantina, que foi muito importante para mim e fez com que eu tomasse a decisão de escrever sobre minhas viagens.

Comecei escrevendo assim, pois passou-se quase um ano da viagem; eu já viajei de novo (quase um mês na Europa), tem muita coisa acontecendo na minha vida e, eu ainda não acabei de contar sobre a inesquecível Chapada.

Só para atualizar o que vem acontecendo comigo, vou contar rapidamente e depois eu volto com a Chapada Diamantina e mais detalhes (pensamentos, sensações e experiências) do que vem acontecendo nos últimos tempos.

Por volta do dia 07 de Julho, recebemos um e-mail da imobiliária responsável pela administração do apartamento que nós morávamos, nos avisando que o contrato se encerraria no dia 07/08/2011, e que se quiséssemos continuar no apartamento, provavelmente o valor do aluguel sofreria um reajuste. Respondemos o e-mail aceitando esperar o retorno deles, e analisar a nova proposta de valor do aluguel, para então pensarmos na possibilidade de ficar naquele apartamento por mais um tempo (já háviamos discutido muitas outras possibilidades de mudanças antes disso acontecer).

Então veio a surpresa: o proprietário do apartamento pediu um reajuste de mais de 50% sobre o valor do aluguel. Este fato nos deixou extremamente aborrecidos - os preços na cidade do Rio de Janeiro estão realmente aumentando muito, ficando caducos, gágás, enlouquecidos; mas este valor foi surreal. E, considerado por nós como uma ofensa. Não aceitamos nem negociar algum meio termo. 

Lembrando que o contrato vencia no início do mês de Agosto e que tínhamos uma viagem marcada para a Europa, ficaríamos fora do país por um mês - partiríamos dia 27/07 e retornaríamos dia 23/08; e que estávamos praticamente no meio do mês de Julho. A partir de então, nossos dias foram uma correria só.

Concluindo, o nosso contrato venceria no meio da nossa viagem; e como já estávamos pensando em sair do Recreio, e quem sabe do Rio e quem sabe ainda do Brasil...em duas semanas organizamos nossa mudança, colocamos metade de nossas coisas em um Guarda Móveis, a outra metade e nós fomos para a casa de uma amiga no Bairro de Botafogo e partimos para a Europa, sem casa quando voltássemos. 

Durante toda a viagem nosso pensamento e nossa vontade de sair do Brasil somente aumentaram, provavelmente isso aconteceu por tudo o que passamos, vimos e mudamos lá. Praticamente no início da viagem, já tínhamos tomado a decisão de que, quando voltássemos ao Brasil, alugaríamos um apartamento de temporada (por um mês) aqui no Rio, e este tempo seria dedicado a resolver nossas pendências aqui e nos despedir das pessoas queridas.         

Pois é, o apartamento foi alugado, nossas pendências estão encaminhando para serem resolvidas; e agora faltam apenas uma semana e meia para deixarmos o Rio e partiremos para Buenos Aires por dois meses. Estamos felizes e ansiosos com tudo isso acontecendo; é o jeito de viver que escolhemos por tempo indeterminado. Às vezes sinto algumas pressões e sensações esquisitas e malucas, às vezes tenho vontade de gritar para todos ouvirem, às vezes choro, enfim, uma mistura de sensações interminável (quero ver isso na TPM). Mas tenho certeza de que esta decisão é a que faz mais sentido em nossas vidas agora, e vai nos trazer um amadurecimento e fortalecer o nosso relacionamento (afinal, vamos ver se conseguimos nos suportar de novo, em um lugar sem amigos no início. risos).

Talvez eu demore anos para contar todas as minhas viagens, tudo o que quero escrever aqui, cada detalhe; talvez eu nem consiga realmente acabar; talvez acabar de escrever tudo não seja o objetivo. Mas o que me comprometo agora e o que pretendo realmente fazer é: escrever duas vezes por semana, pois tenho muito para contar e muito a treinar a escrever.