Há mais de um mês não escrevo algo! Acabei deixando que as crises tomassem conta de mim e das minhas vontades. Aconteceram muitas coisas legais e muitas coisas muito chatas neste tempo. Tive vontade de escrever, tive muitas coisas para escrever, pensei em que escrever e como escreveria; mas quando eu chegava em casa e ligava o computador, quem disse que eu conseguia? O medo de escrever também veio para a “festa da crise”, junto com tantos outros medos...
Então, fui deixando para depois... depois... depois... Até que esta semana eu tomei coragem, dei um basta a mim mesma e a esta inércia que eu estava vivendo! Eu estava tornando tudo mais difícil (ou impossível) e menos prazeroso (ou sem prazer).
Comecei a pensar nas mudanças que passei na vida - acho que é normal sempre que mudarmos, termos uma certa crise e vivermos um certo descompasso com as coisas mundanas. Se mudamos de país, de cultura e de costumes, com uma crise mal resolvida no relacionamento, ainda sem objetivos muito certos, acho que isso agrava a situação, e foi o que aconteceu comigo. Custei a entender e aceitar que estava assim, mas sim, estava!
Agora que abri os olhos e enxerguei o que estava acontecendo, estou me cuidando, melhorando, mas ainda existem pontos que precisam ser revistos, feridas que precisam ser curadas e cuidados que precisam ser tomados.
No episódio do roubo do meu celular (Novembro de 2011), um grande amigo me enviou a imagem do quadro “O Grito” (Edvard Munch, 1893). A todo tempo tenho me lembrado desta obra de arte; nos últimos dias tem sido mais fácil para mim interpretá-la, entender o por quê a tenho tido como referência, e depois de ter chegado nos porquês, tenho conseguido, até mesmo, gritar!
O bom é que estou “gritando” e colocando para fora de mim o turbilhão de coisas que estava sentindo, estou conseguindo pensar neste turbilhão, fazer com que ele diminua e que os efeitos dele não me façam mais tanto mal.
Na semana passada meu curso de espanhol acabou, parece que saiu um peso de 10 horas do meu dia (tinha só 3 horas de aula), um exemplo disso é que no último dia de aula consegui resolver muitas coisas que estavam pendentes a muito tempo e mudar minha forma de encarar algumas dificuldades. Tirei daí uma lição: não leve aquilo que, desde o começo, está vendo que não vai dar certo para frente - eu já podia ter aprendido isso. Outra lição que eu aprendi e preciso por em prática é: não tenha medo de se expor a seus amigos, e peça-lhes ajuda, DE VERDADE, quando não está bem - afinal amigos não são só para os momentos bons não é?!
Bom, desde quarta feira passada, cada tarefa completada me faz muito bem, e fico me sentido muito útil! Há alguns meses não me sentia assim e tampouco conseguia completar tarefas. Estava acontecendo o seguinte: se não as completava, não conseguia fazer outras coisas que gosto ou que me interesso e ficava insatisfeita; insatisfeita não tinha força para fazer tarefas chatas... isso criava um círculo vicioso do qual eu não conseguia sair nem me desvencilhar.
Embora eu ainda esteja me culpando por ter passado tanto tempo em crise e desperdiçado muitos momentos bons (o que não deveria fazer: culpar me); aprendi neste período que não devo deixar as coisas chegarem ao ponto em que estavam....