segunda-feira, 5 de março de 2012

S A U D A D E S


Hoje vou falar um pouco de saudade. Sempre sou super sentimental com as coisas e super carente com as pessoas, e ao mesmo tempo sempre me fiz de durona nas situações necessárias. Mas no final de semana passado percebi que tenho mais saudade do que imaginava.

Voltamos ao Brasil numa viagem inesperada por um motivo super triste: a avó do Gui faleceu. A viagem foi mais para fazermos companhia para a minha sogra e tentar, juntos, acalmar a dor da perda. Porem, aproveitei e vi algumas pessoas queridas (família e amigos).

Assim que decidimos ir, já bateu um frio na barriga grande, e uma mistura de sentimentos que me deixaram um pouco mais quieta e um pouco amedrontada - O que eu, que estou passando por crises internas imensas aqui, sentiria ao pisar no Brasil?! - Estava indo para um luto e morrendo de saudade de tudo ali, fiquei meio sem saber como conduzir este monte de sentimentos. Tentei não ter expectativas e nem ficar martirizando muito esses sentimentos loucos que estavam dentro de mim.

Chegando em São José, cansados e de madrugada a primeira coisa que eu vi, que quase morri de saudades foi o rack da sala da minha ex casa, minhas roupas que eu deixei para trás e um monte de sentimentos confusos em relação a coisas e as saudades. Como eu, que me achava super desapegada dos bens materiais, estava sentindo saudades dos objetos? Me deu uma saudade infinita da praia, do meu trabalho, dos meus amigos - apesar de estar longe de muitos deles, vivendo no Rio, ainda assim estava no mesmo país. Me deu saudade de ter minha casa, meus livros, tudo exposto e decorado como eu escolhi. Senti saudades da liberdade de poder ir para a praia em um dia qualquer, da areia, do cheiro do Brasil (acreditem, o cheiro do Brasil é diferente).

Em meio a toda esta crise, pude ver que: bem, escolhi viver assim, desse novo jeito, e vou enfrentar isso e espero vencer todas estas crises. Mas também decidi que isso vai ser temporário, que por agora, o que eu penso é em tirar proveito de tudo o que estou tendo, de toda a oportunidade, do tempo para pensar em mim e talvez no que eu quero ser quando eu crescer e investir nisso, em mim. Mas por enquanto, também decidi que eu quero voltar para viver no Brasil.

Sim, o país tem ainda infinitos defeitos, os impostos que pagamos vão todos para os bolsos do políticos corruptos que nós elegemos, poucos de nós reclamamos pelos direitos que temos, o transporte público não funciona, o trânsito é infernal, a falta de respeito ao outro é enorme, a consciência política crítica e bem fundada da população não é das mais admiráveis, a educação deixa muito a desejar, a saúde nem se fala...

Mas mesmo assim, EU SINTO FALTA DO CHEIRO DO BRASIL. Sinto falta dos meus amigos, da minha família, das mordomias que tinha lá, de ter a minha casa montada e escolhida por mim, de saber que uma viagem de ônibus em algumas (muitas) horas liga as cidades que eu vivia, que eu não preciso ficar me preocupando com visto ou trâmites de residência.

Enfim, depois de tantas crises e medos, e coisas mal resolvidas dentro dessa “cabecinha oca”, voltei para Buenos Aires com os olhos mareados e cheios de lágrimas dentro do avião. Porem,  com a certeza que este é o tempo certo para eu continuar esta empreitada que comecei, e estou renovada para todas as metas que eu tracei aqui, e para aproveitar cada segundo. Agora deixa eu ir a o sol está forte lá fora e a vida passando aqui dentro...

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