quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma questão de educação.


Acredito que um dos maiores motivos que levam um país ao desenvolvimento, e o mantém neste estado, é a educação. Em um país onde a população não tem educação, é mais difícil de estruturar muitos pontos críticos que o fazem funcionar melhor, como por exemplo, o respeito no trânsito, nas filas e às pessoas de uma forma geral; a capacidade crítica aos maus governos e governantes. Dentre muitos outros pontos, estes exemplos também são capazes de manter um país em melhores condições para se viver.

No Brasil, não é novidade para ninguém que a Educação está muito aquém do ideal. Assim como, por um lado, os problemas se agravam pela falta de respeito e educação da população, por outro lado, os problemas, já existentes, se mantém, pela falta de iniciativa e conformismo da maioria da população; a qual não recebeu uma educação de qualidade, e tampouco tem a noção do que é direito de cada um. Com as “armas” deixadas pelo legado do conhecer, as pessoas poderiam reivindicar os direitos que têm, saber seus deveres (e cumprí-los, quem sabe) e entender um pouco dos problemas do país.

Aqui na Argentina, as pessoas no transito não são mais respeitosas com os pedestres do que no Brasil (pelo contrário), nem as pessoas no metro são mais educadas do que as do Brasil, a não ceder seus acentos aos idosos, gestantes e deficientes; ao acotovelar as pessoas em horários de pico (acho que estas são de igual para igual); prevalece aqui, como no Brasil, a lei do mais forte e do mais rápido.

Porém, aqui acontecem algumas coisas que fica claro o quanto a Educação faz diferença. (Um parêntese somente para lembrar que na Argentina o modelo de educação pública básica, obrigatória e gratuita, ainda é bem conceituada internacionalmente, e antiga - Lei 1420, que foi criada em 1882). Mesmo agora, com toda a crise que o país vem passando (os problemas financeiros aqui estão em alta: a inflação foi registrada aproximadamente entre 10% e 30% anual em 2010, com números oficiais - dados do governo* - e privados - dados de economistas argentinos publicados na internet**, respectivamente) , pelo que tenho observado aqui, as crianças estão sendo alfabetizadas. O número real de adultos não alfabetizados é muito pequeno, isto é, a maioria da população daqui sabe ler e escrever.

Nos vejo como um país muito lindo, em que o povo é muito feliz e bonito, a música popular brasileira é muito boa; porém, também vejo um povo muito acomodado (as falcatruas no governo acontecem praticamente às claras; a corrupção em muitos órgãos públicos, também); todos sabemos e temos acesso às notícias; porém, mesmo assim, não se faz nada para melhorar, as coisas continuam no mesmo rítmo. Muitas vezes nos esquecemos de tudo o que se passou, e através das urnas elegemos os políticos corruptos novamente.

Diante deste comparativo traçado, uma das coisas que tenho pensado, é que, este perfil em que se encontra o povo brasileiro, existe, em sua maioria, pelos simples motivos do desconhecimento, ignorância, comodidade, falta de práticas para se lutar pelo melhor ao país, falta de cultura para isso.

Algumas vezes, infelizmente, penso o pior, que este o comodismo pode existir por conta do egoísmo e da ganância,. Se pararmos e pensarmos, teremos exemplos claros, quando nos lembramos das pessoas que se escondem dentro de suas casas e do seu poder economico (com seus carros blindados, seguranças particulares, casas cheias de grades e em condomínios fechados, compra de privilégios), enquanto as pessoas não tão ricas (veja, não precisam nem ser pobres), passam aperto para manter sua segurança, sua saúde, a educação dos filhos e manter seus direitos assegurados.

Aqui na Argentina, por outro lado, se a população está descontente com algo, as pessoas vão as ruas protestar, fazem piquetes, batem panelas, picham muros, manifestam-se, lutam pelo que acreditam ser direito delas. O que tenho observado aqui, é que a maioria da população entende o que se passa com a política do país, conhece a história do país, sabe dizer o por que os fatos estão acontecendo.

Mais uma vez, se fizermos um paralelo no Brasil, nos últimos anos, podemos constatar que o país melhorou muito economicamente, “está crescendo”, ou contrário da Argentina, que está em crise. Porém, mesmo o país melhorando, tendo dinheiro e sua população, consequentemente estar com o poder aquisitivo maior; é insuficiente para que um país prospere culturalmente. A impressão que tenho é que vão aparecer cada vez mais novos ricos, talvez, mal formados, cujos desejos são apenas tornar-se mais e mais ricos, esquecendo-se do restante da população do país que vivem.

Bom minha gente, eu comparei o Brasil com a Argentina, que é onde estou vivendo agora, e tenho observado um pouco os costumes na vida da população aqui. O Brasil é um país lindo, cheio de belezas naturais maravilhosas, riquezas e pessoas maravilhosas; devemos analisar mais o que acontece e lutar pelo que temos direito, ser conscientes nos nossos votos, lutar por uma educação melhor - não só para os nossos filhos e netos, como para todas as pessoas que habitam este país. Tudo isto, para que se torne um lugar mais justo, onde a lei do malandro não mais prevaleça, para que tenhamos menos impunidade, para que não seja mais preciso nos esconder e a nossos filhos atrás de muros de condomínios, casas com grades e alarmes de segurança, além de pagar absurdos em impostos e ainda assim termos que pagar outros absurdos em escolas e planos de saúde.


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