...é, nos perdemos um pouco mesmo! Quando olhamos o mapa, vimos que deixamos de descer uma rampa, que cortaria caminho e nos levaria direto ao centro do Vale do Paty. Porém, mais tarde, já na casa da Dona Raquel, o pessoal nos disse que a rampa era muito íngreme e que seria muito difícil descermos com nossas mochilas tão carregadas. O caminho que utilizamos, era um pouco mais longo, que dava uma volta para descermos ao meio do Vale; era conhecido como o Caminho das Mulas. Com a mesma linda paisagem e vista maravilhosa, chegamos ao ponto mais baixo da descida, e depois disso, ainda andamos aproximadamente mais 1 hora ou 1 hora e 30 min até chegarmos à casa de Dona Raquel. Chegando lá, fomos super bem recebidos pelo Guilherme (que é um agregado, que mora lá desde Junho de 2010), e pelos filhos dela João e André. Conversamos um pouco com eles, conferimos que tinham lugar para nós, e encomendamos o jantar. Após muita prosa, tomamos um belo banho (muito gelado!) e aguardamos um pouco para ver se o outro grupo que iria jantar também chegaria. Quando começou a chover e vimos que eles não iam chegar tão cedo, e então jantamos. A comida era maravilhosa e abundante, era feita pelas meninas, e depois de um dia de muita caminhada e muito cansaço, tudo o que agüentamos fazer, foi comer - eu comi demais - e dormir (às 8h da noite).
Como eu dormi às 8 da noite, às 6 da manhã eu já estava de pé, estávamos prontos para o café da manhã, que fora marcado para às 7 horas. Como o jantar, o café da manhã foi delicioso, com muita comida,e aquela sensação de coisas caseiras. Com planos de ficar ainda pelo Paty no segundo dia, partimos para o Cachoeirão, via trilha da Fenda. Mesmo tendo sido nos recomendado não irmos ao Cachoeirão pela trilha da Fenda, por corrermos riscos de nos perdermos ao chegarmos nos Lajedos, fomos mesmo assim. E adivinhem? Nos perdemos, de novo! Após acabar a trilha de mato batido, chegamos no lajedo, a vista da lá é impressionante, dava para ver o Morro da Lapinha (também conhecido como Castelo). Os lajedos nada mais eram do que rochas sem mata, sabe aquela parte descoberta que vemos quando olhamos para cima no morro?! Então o lajedo é todo aquele marrom que vemos quando olhamos. Lá de cima é lindo também, mas é ruim se sentir perdido! Olhávamos o GPS e víamos que estávamos próximos, porém não achávamos aonde virar, aonde descer. Cheguei perto do Pânico, eu achei a saída, ma não fui tão fundo com medo, o que me dominava era medo, e quem checou e achou o caminho foi o Gui. Nisso tudo, foi mais ou menos, 1 hora e meia tentando nos achar entre pedras que não tinham rastros humanos; em alguns momentos eu via uma setinha branca riscada no chão, mas elas eram falhas e apareciam poucas vezes.
Até a chegada ao Cachoeirão, nos perdemos e nos achamos algumas outras vezes, e durante a andança, pudemos ver o quão magnífica a vista e o lugar era. Quando estávamos quase no Cachoeirão, já sem água para beber, começamos a sentir os pingos de água e ouvir o barulho de água caindo bem perto, além de ouvir vozes, isto nos fez ter certeza da direção a seguir, mesmo sem estarmos vendo a trilha. Foi quando ouvimos um grito (depois que estive lá, comecei a achar que os Guias turísticos têm mania de gritar e fazer barulhos pelas trilhas), isso nos incentivou mais a ir em frente, e pela altura do grito, pudemos perceber que estávamos perto das pessoas. Logo, seguindo a direção dos barulhos encontramos a trilha. Ficamos felizes, pois iríamos encontrar água; porém a história não foi bem essa, quando chegamos ao fim da trilha encontramos um casal com seu Guia Luís (quem gritava), sentados numa pedra, estavam os dois, olhando para baixo; a nossa surpresa: a cachoeira não no daria água para beber, nem para nos refrescar. E, por que? Porque a água brotava do meio da rocha, numa altura de mais ou menos uns 100 metros do chão mais perto, isso é, a água caia de baixo de onde estávamos para mais baixo ainda, não tínhamos acesso a ela. E a água mal tocava o chão lá embaixo, pelo menos não víamos.
Conversamos um pouco com o casal, eles nos cederam o lugar deles na pedra para olharmos para baixo; foi emocionante montar nas pedras para ver um filete de água caindo, passamos um pouco mais de sede, mas valeu a pena. A água se esvaía, o filete ia ficando cada vez mais fino, formavam-se arco-íris nas quedas d’água. Enfim, nesse momento, eu venci meu medo de altura e cheguei a lugares bem perto do precipício para olhar lá embaixo; e mais uma vez vale falar: é lindo demais. Eram dois mirantes, que se deitássemos nas pedras e olhássemos para baixo, conseguíamos ver os filetes de água.
E, para completar, o casal que nos “esperava” no primeiro mirante do Cachoeirão, tinha os mesmo planos dos nossos dali para frente, isto é, quase o mesmo roteiro. Com a diferença de que voltariam pelo caminho que vieram, pelo beco, para pegar o carro deles, que eles haviam deixado lá. Seus nomes eram Dago e Vivi, e quando surgiu o assunto referente aos nossos planos, prontamente o Dago nos ofereceu carona! Não sei porque, mas aceitamos na hora, mudamos nossos planos rapidamente (nossos planos eram sair do Paty por Andaraí) e decidimos ir com eles.
Ali começou uma gostosa amizade de viagem, embora eu ainda não consegui escrever para eles, foram quatro dias intensos juntos. A princípio eles iriam ficar em outra casa (de outro morador do Vale), e nos encontraríamos na manhã seguinte para darmos continuidade ao nosso passeio, porém, quando estávamos na piscina natural, logo atrás do Cachoeirão, onde pudemos finalmente nadar e matar a nossa sede, elesnos disseram que iriam dormir na casa de Dona Raquel com a gente!
Gostei muito desse, tá super detalhado e bem escrito! :)
ResponderExcluirAh, coloca uma foto de alguma viagem nossa como o papel de parede daqui.