domingo, 8 de maio de 2011

Uma manhã chuvosa.


Naquele fim de tarde, fomos caminhando em direção à casa de Dona Raquel, pelo caminho convencional da trilha do Cachoeirão, o caminho que o Gui e eu tínhamos feito na tarde anterior. O Luiz (o Guia) tinha deixado as malas dele do Dago e da Vivi entocadas e tínhamos que voltar por aquele caminho para pegá-las. A grande surpresa foi: o sol estava em outra posição, o que confundiu os meninos, não achávamos as malas por nada. Resultado: ficamos mais de meia hora procurando as malas, de um lado para o outro; o Dago e o Luiz corriam como loucos atrás das malas, o Gui começou a correr também, e nada das “pequenas” malas. Depois de muito corre para cá, e corre para lá, até que enfim o Luiz achou a moita. Mais uma lição: quando formos esconder nossas malas, devemos deixar uma sinalização e não confiar apenas em “eu acho que elas estão ali” e no sol, porque acreditem: ele muda de posição durante o dia! Risos.
Finalmente, com as malas deles nas costas, isto é, uns 50 kg mais pesados, pudemos seguir em frente; rindo da história: três homens correndo de lá para cá atrás das malas que estavam entocadas debaixo de alguma moita, no meio do mato, sem marcação nenhuma. Ao chegarmos na Dona Raquel já estava escuro, e tinham mais dois grupos lá com seus respectivos Guias. Com estas pessoas (todos homens), não tivemos a mesma afinidade que tivemos logo de cara com o Dago e com a Vivi, mas encaramos numa boa. Antes do banho, super gelado, a Vivi e eu tomamos uma cerveja, que estava gelada pois estava de molho na mesma água que iríamos tomar banho, e posso garantir que a cerveja estava gelada. Depois (ou junto com a cerveja, não lembro a ordem dos fatos) experimentamos um licor de banana, feito por eles mesmo lá na Dona Raquel, o licor estava uma delícia!
Enfim tomamos os banhos, que foram um sacrifício, pois já era noite, não tinha nem um raio de sol para nos esquentar depois do Banho. Finalmente prontos para jantar, apreciamos um pouco o lindo luar daquele lugar, a Lua estava cheia e iluminava todo o quintal da casa, iluminava as montanhas, as plantas; enfim, era lindo demais, perfeito demais! Finalmente, a hora boa: o jantar com maravilhosa comida caseira de fogão a lenha preparada pelas meninas. Depois do jantar ficamos conversando e ouvindo os meninos lá na vendinha, fazendo um som! Era um forró pra lá de arretado, com um zabumba feito por eles; e, que ânimo daqueles meninos, pareciam um desenho animado tocando, foi um momento muito gostoso, relaxamos do dia pesado de caminhada que tivemos. Mas, como todo carnaval tem seu fim, eram dez horas da noite, e o som teve que parar! Fomos todos dormir, sabendo que no dia seguinte, iríamos começar a camelar cedo, por isso, era hora do mais do que necessário descanso.
O sol raiou, e às 6:30 já estávamos de pé e prontos, esperando a nossa vez de tomar o café da manhã. Porém uma coisa nos preocupava, os planos para hoje eram chegar no alto do Morro da Lapinha (mais conhecido como o Castelo), mas tinha chovido muito durante a noite. No meio do nosso café da manhã, ela veio novamente, a chuva, com pingos grossos e fortes, intermitente no começo, porém, foi se aconchegando, e parecia que estava disposta a ficar. Usamos das forças da natureza para demorarmos muito no café da manhã, deliciamo-nos com aquele café da manhã repleto de comida enquanto decidíamos o que fazer; estávamos pensando num segundo plano para aquele dia, e ao mesmo tempo esperávamos que a chuva passasse para que conseguíssemos ir ao Castelo. Eu estava morrendo de vontade de subir lá, por muitos motivos, um deles era que naquele morro tem uma gruta pela qual passamos para chegar a uma vista maravilhosa. Estava muito curiosa para conhecer esta gruta, este caminho, esta vista, este morro....
Quando não aguentávamos mais comer, nem esperar, admitimos que não deu trégua, e não daria por um bom tempo, não podíamos esperar mais; tivemos realmente que mudar nossos planos. Decidimos então que iríamos somente fazer a caminhada até a cachoeira do funil e partir do Vale do Paty.
Confesso que fiquei bastante desapontada, mas seria arriscado demais irmos naquele lamaçal para o Castelo, a trilha era íngreme e estreita. No caminho da Cachoeira, entocamos nossas malas, agora com o Gui marcando no GPS o lugar em que elas se encontravam. No meio do caminho começou o: Fabíola escorrega!!! Era escorrega dali e pronto, tomboooooo. Escorrega de cá, me sujei inteira, o bom disso tudo é que aprendi a cair e perdi um pouco da vergonha dos três desconhecidos (embora não tenha perdido totalmente a vergonha e o medo do ridículo).
Na cachoeira, as pedras estavam extremamente escorregadias, tinha água por todos os lados, eu perdia o equilíbrio muitas vezes seguidas; e, o plano era além de chegar a essa cachoeira, era irmos para uma outra, onde teríamos que escalar as pedras escorregadias, ao lado da queda d'água, cheias de lodo e nós, sem equipamento. Fui a primeira a pular fora dessa jangada furada, meu medo tomou conta de mim quando vi como as pedras estavam molhadas, estou perdendo o medo de pedras, mas ainda é bem forte, ainda mais quando elas estavam molhadas. Logo em seguida, todos desistiram da caminhada mais perigosa. Ufa!
Então, trocamos nossas roupas e partimos para o abraço! Tibum! Curtimos muito a cachoeira, nadamos, ficamos embaixo da queda d'água, pulamos, e no final, depois de nadarmos muito, adivinha o que vimos? Estava descoberto – a chuva e as nuvens foram embora – o Morro da Lapinha, estava lá em nossa frente, lindo, sem nuvens na sua frente, e o sol, que brilhava forte; acreditem, teve sol, depois de tanta chuva. Infelizmente, estava tarde, era quase meio dia, não conseguiríamos subir o Castelo e sair do Paty no mesmo dia, e nossos planos eram com dias contados, não poderíamos perder tempo. Ficou na memória, o Castelo lá ao fundo, com o gostinho de uma próxima vez conhecermos.
Voltamos à trilha, cheia de lama, encontramos rápido nossas mochilas entocadas, as pegamos, tiramos suas capas de chuva e lá fomos nós novamente, os cinco enfileirados, andando, subindo, descendo e suando muito, agora com o sol brilhando! Não sei se o Sol era muito bom, ou ruim, sei que andamos até a subida da rampa, já estávamos cansados, pois já tínhamos pego subidas intensas e íngremes na trilha; o Luiz nos orientou a pegar muita água e descansar um pouco. Pois o pior estava por vir, avistamos “a rampa” e vimos o que ainda tínhamos pela frente: uma descida muito grande e uma subida, íngreme, quase noventa graus em relação ao solo, que parecia maior e tenebrosa.

3 comentários:

  1. Fá, viajei com sua descrição. Mas no final você poderia dar o presente aos seus leitores e colocar uma foto desse lugar maravilhoso, né?
    Beijão

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  2. Pois é Fer, estou treinando mudanças aqui no Blog, aos poucos eu consigo, tenho muitas idéias, mas como meu tempo está escasso, estou fazendo isso aos poucos. Pode deixar que colocarei muitas fotos!!!
    beijos

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  3. Gostei muito desse. Concordo com a Fer que precisava de uma foto -- tem que ser junto com os posts. Aqui podia ter uma daquela maldita rampa (e a descida antes dela) que quase me matou! :)

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