Desde segunda de noite, eu e o Gui temos andado nos estranhando e discutindo muito; sobre coisas que precisam ser melhoradas no nosso relacionamento e em nós mesmos. Esta situação já é ruim quando você está no seu país, em que você acorda no outro dia e vai ao seu trabalho e ele ao dele, vemos amigos ou pessoas que temos afinidade nos distraímos, e conseguimos pensar nos motivos de discórdia com mais calma, e voltar para casa um pouco mais renovados. Porém, esta situação é péssima quando se está em outro país, não tem seus amigos por perto e tampouco você ou ele saem para trabalhar e ver outras pessoas de quem gostem ou tenham afinidade e se distraiam. As coisas se passam como uma bola de neve...
Hoje, pela manhã, conversamos um pouco, estávamos melhor; e então decidi ir à aula de Espanhol. Saí, meio que sem querer ir, pensando em voltar; mas fui, me obriguei a ir. Entrei no metro, e coloquei meus fones de ouvido e fui escutando um pouco das aulas de espanhol, que eu tinha ali no celular. Ao chegar na estação final, ajudei uma velhinha a subir as escadas, conversei um pouco com ela, e continuava a ouvir o som das aulas que vinham do meu celular.
Só que eu deixava o meu celular atrás da mochila, em um lugar que eu sempre soube não ser muito seguro; que hoje mesmo pensei em mudá-lo de lugar. Porém não o fiz. De repente, quando estava atravessando a Rua San Martin, em frente a Plaza de Mayo, com muito movimento nas ruas, parei de ouvir as aulas. Demorei alguns segundos para verificar na bolsa da minha mochila o que tinha se passado, e quando fui verificar, minha mochila estava aberta e meu celular não estava mais lá: FUI ROUBADA. Demorei mais algum tempo para realmente entender o que se passava, olhei ao redor e as pessoas estavam normais, eu já não sabia mais se realmente tinha acabado de acontecer; meio que perdi a noção de tempo espaço e me dei conta que estava parada no meio da rua, pronta para ser atropelada. Não sei se alguém viu o que se passou, olhava para as pessoas e não aparentavam estranheza, eu estava muito confusa, não gritei, não tive reação, algumas lágrimas saíram dos meus olhos, porém fazia força para pensar o que tinha que fazer naquela hora.
Consegui acabar de atravessar a rua, olhei mais uma vez ao redor, e nada. Resolvi vir embora para casa, tentar encontrar o celular (tinha instalado nele um dispositivo anti-furto), contar para o Gui o que se passou e trocar todas as minhas senhas. Quando cheguei em casa, todo o meu auto-controle foi pro brejo, acho que todos os sentimentos que venho guardando nesta semana se juntaram e comecei a chorar muito e espernear, como criança. O Gui, tentou me abraçar e eu não deixei. Até que consegui me acalmar um pouco e fomos atrás do celular. Para meu maior desespero, o programa anti-furto, estava instalado, mas não configurado (não sei se ia adiantar tê-lo configurado, mas seria menos uma cagada minha no dia).
Agora estou com raiva de mim, que deixou o celular onde eu sabia que não era seguro, que não gritei quando percebi que o celular tinha sido roubado (aqui no metro, presenciei pessoas ajudando umas as outras em caso de roubo e talvez, quem sabe, isso pudesse ter me ajudado), que fui a aula quando não queria ir, que não verifiquei se o programa estava em ordem. Estou com raiva da pessoa que me roubou o celular e que vai vender por uma micharia. Raiva das pessoas que, se viram, não fizeram nada para me ajudar. Raiva da desigualdade social que existe no mundo todo. Raiva do ser humano. Raiva! E, tristeza.
Sei que não adianta ficar assim, nem ficar lamentando, afinal: “era só um celular” e não vai me fazer tanta falta e muito menos vou morrer por isso. Mas a sensação de ter algo tomado de você é terrível. Não adianta que eu, nem que as pessoas fiquem me perguntando: “mas se sabia que era inseguro porque deixou o celular lá?”. A resposta é simples: “porque deixei, oras; já fui roubada e agora ficam algumas lições, que acredito que eu já sabia, porém ignorava. Ou queria poder las ignorar”. Infelizmente batedores de carteira existem no mundo todo, desde os tempos mais antigos; já escrevia sobre os pequenos batedores de carteira Charles Dickens em Oliver Twist, que fora publicado em 1838.
Queria poder mudar o mundo, melhorar algumas situações difíceis de vida - como a falta de empregos e desigualdade sociais, pobreza em que as pessoas vivem. Mas sei que é totalmente impossível! Enquanto isso, posso só comprometer-me a melhorar a mim mesma e o que há ao meu redor e está ao meu alcance.
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