terça-feira, 15 de novembro de 2011

La noche de los museos


Sábado tivemos uma noite muito interessante aqui em Buenos Aires, fomos a alguns espetáculos em La noche de los museos (A noite dos museus). A noite dos museus acontece todos os anos da seguinte forma: a partir das 20:00 os museus, pontos turísticos e centros culturais da cidade ficam abertos para a visitação, com atividades e espetáculos montados especialmente para esta data. Este ano, algumas linhas de ônibus ficaram operando gratuitamente para os seguidores do evento, desde que os usuários do transporte estivessem portando um ticket fornecido nos locais visitados. Para podermos comparar, tem a mesma cara da Virada Cultural em São Paulo (a única que eu conheço no Brasil).

O primeiro espetáculo que escolhemos, foi o Tango en la terraza, no Museo Roca - Instituto de Investigaciones Históricas. Foi uma apresentação de bailarinos de tango e, em seguida, uma milonga (é como um baile de tango, não só para os profissionais no assunto). Estávamos atrasados, porém, chegamos em tempo de assistir um pouco de uma dupla apresentando-se. Desde que cheguei aqui, ainda não fui a um lugar para assistir tango - estou me devendo isso, mas pelo pouco que vi, achei os dançarinos muito bons. Algo me chamou a atenção nesta apresentação, foi a velocidade dos passos,  um tango bem lento e não tão agarrado e forte como os que tinha visto antes, pareceu-me mais elegante. Na milonga, assisti a muitos casais de mais idade se divertindo com a dança.

Saímos de lá com o guia do evento todo e alguns tickets da condução gratuita. Fomos direto para a Faculdad de Derecho y Ciencias Sociales, o segundo ponto escolhido. Estávamos atravessando a Avenida, em direção às escadas em que seriam  as duas apresentações escolhidas, às 21:00 em ponto, quando começou um som estrondoso; era o primeiro espetáculo programado para aquela noite, o grupo Bomba de Tiempo. Assim como começou, foi uma apresentação fantástica, de meia hora de duração, com todos os músicos muito bem coordenados nos instrumentos de percussão. Aproveitei o show e dancei bastante ao som dos rapazes, que achei, realmente, muito bom.

Logo em seguida, começou um espetáculo cheio de luzes e música eletrônica. Com projeções maravilhosas nas paredes e nas pilastras da Faculdade; a impressão que nos dava, eram panos que cobriam, descobriam e, giravam para um lado e para o outro aquelas pilastras enormes que ficam na porta de entrada do prédio. O jogo de luzes e sombras, acompanhado da música, foram os precursores para a entrada de um grupo de dança Brenda Angiel. A dança começou promissora na escadaria, um grupo de 10 ou 12 dançarinos começaram a apresentação com um tipo de dança contemporânea de rua; todo este antecedente nos levou a imaginar algo grande, agitado, acrobático ou mesmo com passes muito bem elaborados e definidos. E assistindo o a atuação do grupo, lá estávamos nós, esperando pelo “de repente isso vai mudar”, mas até o final da apresentação ficamos esperando, esperando o que não aconteceu. Enfim, os dançarinos deixaram o “palco” e a apresentação se encerrou com mais uma projeção maravilhosa, que nos trazia a ilusão de que o mar estivesse invadindo as escadarias. Foi um espetáculo muito bonito de luzes, sombras, música, porém a dança em si, deixou um pouco a desejar e foi meio cansativa.

Nos agilizamos em busca do próximo espetáculo, mas primeiro fomos tentar comprar empanadas. Disse tentar, porque não conseguimos, o caixa do lugar não tinha troco para $ 100,00, e nos pediu indelicadamente, que nós, os clientes, fossemos trocar o dinheiro para podermos comprar as empanadas dele. Na mesma hora, cancelamos o pedido e fomos pegar um ônibus para o próximo evento, que seria no bairro La Boca.

O primeiro ônibus que passou e aceitava o ticket do evento não parou, porque estava muito cheio, e assim foram mais dois ou três. Quando, finalmente, um que não estava tão cheio, pertencia aos ônibus que aceitavam os tais tickets; o motorista não quis aceitá-los, ele logo nos disse que o ticket que tínhamos não era aceito e que tinha que ser um outro. Estávamos descendo do ônibus, quando chegaram mais umas 7 pessoas com o mesmo ticket que o nosso; observamos e vimos que o mesmo se passou com eles, mas, eles começaram a discutir com o motorista e questioná-lo, dizendo que ele tinha que aceitar aquele papel. Conversa vai, conversa vem, foram feitas ligações para a empresa de ônibus, algumas pessoas começaram a descer do ônibus; e nós, enquanto esperávamos o próximo, também estávamos lá, prontos para ver o que aconteceria, se entraríamos ou não naquele ônibus. Enfim, o motorista fechou a porta do ônibus na nossa cara, colocou no letreiro do ônibus com o status fora de serviço e se mandou com o ônibus e as pessoas lá dentro. Juro que queria saber o que aconteceu...

No próximo ônibus que pegamos, somente mostramos o ticket e pronto (não tivemos nem que entregá-lo), até que enfim, nós estávamos rumo ao próximo espetáculo e ao La Boca a noite - na primeira vez que estive em Buenos Aires, o La Boca não me pareceu lá muito amigo de dia, imaginava como seria a noite. Descemos do ônibus cinco minutos atrasados para o início do evento, que já havia começado (pelo visto, aqui as coisas começam no horário, embora eu já tenha ouvido ao contrário de pessoas residentes a mais tempo); o som estava muito alto, todavia, bom; a iluminação estava linda, porém o foco daquela apresentação (Lluvia de arañas en el Riachuelo), em si, apesar de bonito, não me pareceu maravilhoso e esplendoroso, como havíamos lido nas críticas.

Já que estávamos ali no Bairro, fomos dar uma volta pelos outros museus. Gostei, porque passamos pelo Caminito, como sempre estava cheio. Vimos também a apresentação de um grupo que se apresenta no Carnaval, muito legal ver o jeito que eles dançam - enquanto nós sambamos mais no pé; o samba, o “remelexo” deles é nos ombros, com pisadas pesadas e marcando os passos no asfalto. E, compramos umas empanadas na padaria ali mesmo (algumas muitas horas depois).

Na volta, fomos para a fila do ônibus, que deu certo trabalho. Era meio bagunçado, as pessoas passavam pelo nosso lado e entravam no ônibus normalmente, sem ninguém reclamar que estavam furando fila. Daí, descobrimos que as pessoas que estavam na fila estavam esperando pelo próximo ônibus, em que conseguiriam sentar, por isso, não estavam brigando com os que passavam na frente pela lateral. Fomos em busca do nosso lugar em pé mesmo e adivinhem?! Mais uma vez a porta do ônibus fechou na nossa cara.
O segundo ônibus, pegou muito pouca gente, portanto, não entramos. Eu queria ir para o final da fila, o que não era justo com a gente porque já estávamos ali a um tempão, mas, ao mesmo tempo, não achava nada certo ficarmos ali na frente esperando o começo da “invasão”. Então, eu fui, e o Gui foi também. Chegou um terceiro ônibus, entramos, mas também em pé e muito amassados. Em algum momento o caminho, lemos o itinerário do ônibus na parede, e vimos que ele não passava pelo sentido oposto do mesmo ponto que tínhamos pego ele na ida - muito estranho não?! Após uma conversa rápida, convenci o Gui a descer antes e pegar outro ônibus que passasse mais perto de nossa casa. O Gui tinha dor nas costas, estava cansado, e queria ir embora rápido; eu também estava cansada. Mas o “outro” ônibus não passava...

Resolvemos ir andando em direção a San Telmo. O Bairro estava lindo, cheio de bares e Museus e Centro Culturais abertos. De San Telmo, fomos até a Plaza de Mayo, para então pegar um taxi. Lá, vimos o Caballito e a Catedral “acordados” às 3:00 da madrugada, estava lindo. Mas, começamos a nos empenhar em pegar um táxi, que foi mais uma loucura, porque todos estavam cheios, as pessoas passavam na nossa frente  na calçada, para pegar o táxi na nossa frente, sem se preocupar conosco (ou qualquer que fosse o outro). Enfim, pegamos o táxi de volta para casa, eu estava cansada, mas feliz. Por ter andado de novo por lugares que muito tinha gostado na cidade, ver que são lindos a noite, e que quiçá, ainda conseguimos andar por eles em dias normais sem eventos e de noite.

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